Como perder Razão Sendo Parvos
Ontem fui a (mais) uma sessão de lançamento de um livro de José Rodrigues dos Santos, desta vez, o Jardim dos Animais com Alma, mas não venho vos falar do espectáculo que foi ver a Sala Portugal da Sociedade de Geografia com público ao nível do antes pandemia.
Mas sim de uma manifestação contra a Eutanásia que me tramou e quase não cheguei a tempo e foi uma manifestação contra a eutanásia e até tenho motivos pessoais para ser contra, mas se fosse a expor os meus argumentos não seria tão idiota quando os movimentos pró-vida que parece estarem sob o efeito de alguma droga forte ou sobre o efeito de algum shot que junte absinto, vodka, ouzo, Ricard (sem estar diluído) e Raki numa dose só.
Depois da primeira manifestação cujos os argumentos já não foram grande coisa, esta segunda desceu mesmo pelo cano do esgoto porque em vez de usarem casos de superação de pessoas que tenham ou tivessem tido problemas de saúde terminais ou quase terminais e que de alguma forma tenham sido exemplos para uma humanidade cada vez mais afundada na matrix e da estupidez sem fim foram usar uma frase feita do pseudo-clone de Adolf Hitler de seu nome Greta Thunberg que defende exactamente argumentos pró-eutanásia, pró-aborto e pelo controlo da natalidade sem limite, algo completamente contrário aquilo que estes movimentos pró-vida defendem
Agora vou entrar na parte pessoal; não penso nem como os movimento anti-eutanásia nem como os pró-eutanásia mas sim tenho uma visão pessoal e diferente de ambos os movimentos.
Enquanto vi a minha mãe definhar num lar de idosos não muito longe de onde eu vivia, sim era doloroso para mim, mas nunca pensei em cortar-lhe o vínculo com a vida apesar de tudo que ela estava a passar porque sabia que não era culpa dela.
Mas sim de uma instituição ligada a igreja católica que vive apenas para lucro, a equipa médica e onde a minha mãe estava a fazer fisioterapia para um problema de coluna; onde lhe deram um remédio que a empurrou para um estado irreversível, mas tinha sempre uma pequena centelha esperança que ela desse a volta por cima e lembrava-me sempre de pessoas que de alguma forma tinham dado a volta por cima e quando soube era tarde demais.
A minha mãe não deu a volta, e sim doeu, e até me podem considerar ganancioso ou que tenha praticado distnásia, que para quem não sabe, é o prolongar da vida através de meios artificiais, mas nem isso ela tinha porque o lar onde a minha mãe estava, a Casa de Repouso Embaixador foi uma unidade de cuidados paliativos onde ela teve um final de vida menos doloroso possível.
E a eutanásia em Portugal tem que ser tratada com pinças não só pelo lado ético e moral do acto em si quando envolve a religião e a lei fundamental, mas sobretudo quando envolve a família porque poderão haver casos em que a chamada "morte doce" ou "boa morte" poderá ser um catalisador para que as famílias deitem a mão as heranças e comecem as guerras que são sempre geradas pelas partilhas.
E devido a este detalhe quem deveria de ter em primeira mão a decisão sobre esta decisão seria o cidadão em plena consciência dos seus actos e fazer a sua decisão devidamente registada e juramentada e em segundo lugar a equipa médica seja ela de cuidados continuados, paliativos ou mesmo de um hospital e medicina de família e apenas em última instância a família após parecer médico porque se a vida é sagrada segundo a Constituição da República Portuguesa, qualquer lei que interfira neste direito tem que ser muito bem redigida antes até de ser sufragada no parlamento e também em referendo.
Voltando um pouco atrás aos verdadeiros idiotas dos movimentos pró-vida poderiam fazer algumas coisas ou para não pederem a razão ou ainda melhor para ganhar apoios:
1) Dar como exemplos figuras públicas que não desistiram da sua obra apesar dos seus estados de saúde
2) Não usar figuras como a senhorita Greta como defensora da vida quando ela defende o controlo da natalidade a toda força e num país como Portugal é contraproducente, e quem ver os discursos da senhorita em questão descobrem que ela não tem as telhas todas
3) Fazerem manifestações para defender o incentivo a natalidade porque num país cada vez mais envelhecido vai ser cada mais difícil a sobrevivência das actuais gerações, medidas como punir empresas que despedem mulheres grávidas ou façam qualquer tipo de discriminação contra todos e todas querem construir família
Mas apenas mencionei 3 pontos onde estes movimentos pró-vida teriam muito mais utilidade e não passavam por idiotas ainda mais alienados do que os doentes psiquiátricos do Júlio de Matos ou do Conde Ferreira porque não adianta de nada uma nação já envelhecida deixar a natalidade sem incentivo e algo como abandonada e por outro lado lutar por prolongar vidas, muitas vezes de formas artificiais e desumanas que acaba por causa sofrimento tanto aqueles que vêem a sua vida prolongada como aos que vêem a vida dos entes queridos dependentes de máquinas sem qualquer esperança de recuperação porque uma coisa é cuidados paliativos e decisão consciente e outra é manter com máquinas sobretudo com motivos religiosos....
Ansi Parlait Nietzsche
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