O Ano da Morte De Ricardo Reis, O Filme...Uma Bela Surpresa Para Mim

Anuciado há quase dois anos atrás para os cinemas e eu na volta comprei a edição em francês por motivos finaceiros porque a mesma é muito mais barata do que a edição portuguesa do mesmo livro ao ler a tradução feita por Claude Fages foi um suplício, tradução a qual é muito inferior em qualidade as traduções de Geniviève Leibrich, mas desta vez não venho falar das traduções francesas de Saramago mas sim de um filme baseado numa obra sua.


Para quem ainda não leu, O Ano da Morte de Ricardo Reis retrata a regresso de um dos hetrerónimos de Fernando Pessoa à Lisboa, saindo de um Brasil em agitação na década de 30 do século XX e que visita a sepultura do próprio Fernando Pessoa e durante alguns meses recebe as visitas do espírito deste ao mesmo tempo que se tenta adaptar a Lisboa do Estado Novo salazarista e com os ventos que vêm de Espanha com o início da Guerra Civil Espanhola, as suas paixões e desejos num país eternamente beato e fanático (parece que tudo está mais ou menos na mesma, tirando a guerra em Espanha)


O filme realizado por João Botelho de forma envolvente e que tal como a obra literária é um retrato da sua época tem uma montagem original e diferente para o cinema português porque usa de formas usadas nos chamados "Anos Dourados" do cinema português com um toque de montagem que pode lembrar a alguns "A Lista de Schindler" e em termos de argumento consegue captar de forma muito fiel o psicadelismo surreal existente na obra de Saramago.


O desempenho do elenco protagonizado pelo actor brasileiro Chico Diaz no papel de Ricardo Reis, (entrou em Kananga do Japão, Salsa & Merengue entre outras novelas que passaram em Portugal); Catarina Wallenstein, (neta do actor Carlos Wallenstein e entrou em Os Maias e em Gaiola Dourada) no papel de Lídia; Luís Lima Barreto (Singularidades de Uma Rapariga Loira) no papel de Fenando Pessoa e Victoria Guerra (Variações) no papel de Marcenda, entre outros actores que tiveram papéis irrepreensíveis.


Tal como no livro de Saramago, o egocentrismo pessoano é retratado de uma forma directa sem quaisquer rodeios e tal como o Pessoa em si era distante e com a tendência a uma solidão patológica que era atenuada com paixões carnais que eram difíceis de serem concretraziadas em relações estáveis devido a esta mesma solidão característica de Fernando Pessoa.


A forma como João Botelho adaptou a obra de José Saramago cativou-me embora para mim se tivesse ido por uma opção mais directa com a escolha de uma fotografia 99% colorida e deixasse o preto-e-branco para relatar a transmigração definitiva de Ricardo Reis, na minha opinião pessoal ficaria melhor, mas até que compreendo e aceito a escolha do realizador que quis e conseguiu passar a mensagem do Portugal cinzento do antes 25 de Abril '74.


 


Mais uma vez o TvCine deu um golpe de rins a televisão de sinal aberto, sobretudo a RTP que mais uma vez vacilou e não estreou um filme que patrocinou e que não deu o primeiro passo a esterar e perde tempo com programas de tributo e programas do tipo melodias de sempre ou repetições de programas anteriores em vez de estrear os filmes que apoiou com o dinheiro que saiu dos nossos impostos, uma RTP que passa verdadeiros xaropes nos seus canais e não passa os filmes que patrocina, vai que é dose e quando a SIC produziu os filmes que fizeram renascer o cinema português era sempre a estrear os filmes em televisão mesmo depois da explosão da tv por cabo em Portugal, que tristeza...


 


Em termos de classificação do filme houve detalhes importantes da obra que não entraram na adaptação cinematográfica de João Botelho e que vai penalizar a minha nota final e que provavelmente é um consenso na crítica especializada que o mesmo filme poderia ter sido muito melhor mas não foi péssimo.


 


 


A minha nota é: 3  em 5 


 


 


Post-Scriptum: Alguém sabe-me dizer qual é o objectivo da contribuição audiovisual?

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