Radioactivo....Viagem no Tempo Radioactivamente Magnífica
Radioactivo é a magnífica obra realizada pela realizadora franco-iraniana Marjane Satrapi que nos retrata a vida a duplamente laureada pelo Nobel (física e química) e um dos maiores génios da humanidade Marie Curie.
O elenco foi encabeçado pela actriz britânica Rosamund Pike, que ficou conhecida em Portugal por ter sido a Bond-Girl/Vilã do 20º filme da franquia James Bond "Morre Noutro Dia - Miranda Frost e que estava mais parecida com a própria Madame Curie de tão bem caracterizada que estava, sendo por vezes necessário um esforço extra para reconhecer a fisionomia original de Rosamund Pike.
O papel do igualmente brilhante Pierre Curie ficou a cargo de Sam Riley onde ambos mostraram aquilo que quasr todos nós aprendemos sobre o mais brilhante casal da ciência da primeira metade do século XX, eram seres completamente além do seu tempo e estavam feitos um para o outro.
O resto do elenco foi uma escolha a dedo e que se pode considerar para lá de brilhante para um trabalho com esta responsabilidade de retratar não só a primeira mulher a ganhar o Prémio Nobel como a primeira e única a ganhar em duas áreas diferentes do conhecimento humano sem quaisquer culturas do cancelamento, piedades ou apenas por ser mulher, mas sim pelo seu mérito e pela sua luta; luta a qual levou-a a morte por anemia aplástica devido a exposição crónica à radioactividade.
Na altura que o primeiro casal Curie (sim, houve outro) fez as suas pesquisas não se sabia nada sobre as consequências da radioactividade no ser humano e os mesmos sofreraram com esta exposição crónica, bem como a equipa que trabalhou com eles.
Não foi uma narrativa 100% linear como Bohemian Rhapsody ou Variações, nem abusou dos flashbacks como Corvo Branco, mas sim leva o espectador a ver o mundo pelos olhos da própria Marie Curie e do seu consciente e subconsciente; e nesta viagem no tempo digna de qualquer DeLorean DMC12 a 88 Milhas por Hora de velocidade com um capacitor de fluxo funcional.
Nesta viagem podemos observar o preconceito que existia na sociedade francesa contra os judeus, estrangeiros e mulheres que fossem bem sucedidas sem terem um homem ao lado (e como o karma é lixado, em 1940 tiveram a visita de um tal de Adolf para lhes dar de provar este mesmo remédio) e por outro as conquistas desta brilhante mulher e começo do legado da sua filha mais velha, Irène Jolliot-Curie e do seu genro, Frédéric Joliot-Curie.
Nesta viagem no tempo feita através da consciência de Marie Curie podemos também observar o legado pessoal da própria Marie Curie não só com a conquista dos 2 Prémios Nobel, bem como a criação dos primeiros dispositivos de radiografia portátil, bem como legado científico e historico das descobertas de Pierre e Marie Curie aplicadas tanto na ciência como na guerra e as suas consequências e esta mesma viagem é um alerta para qualquer um dos espectadores do perigo inerente a radioactividade se não for manejada com cuidado nem com consciência ética.
Comprei o filme através do videoclube da Nos porque não tive chance de o ver no cinema porque não teve em Portugal uma distribuição eficiente (pelo menos em Lisboa) e para mal dos meus pecados, agora já está disponível no streaming da Nos via Nos Play, mas não faz mal, foi dinheiro bem gasto porque esta mesma biografia fez comigo o mesmo que Variações e Bohemian Rhapsody fizeram por mim, ou seja, meteram-me uns ninjas cortadores de cebola perto de mim e fiquei com um nó na garganta difícil de tirar.
Quem conseguir achar em DVD ou Blu-Ray compre, quem apenas conseguir ver via streaming, o salve na respecitva plataforma.
Não sei onde estava a academia de Holywood para não reconhecer esta verdadeira obra-prima de Marjane Satrapi que merecia todo o reconhecimento a nível global e logo eu, um assumido nerd de Ciência e de História, um livre pensador, ao ver esta magnífica obra fiquei com aquela vontade de aplaudir de agradecer a toda a equipa que esteve na base neste magnífico filme.
5
em 5![]()
Vos deixo a foto final do filme, da V Conferência de Solvay - 1927 (*)

(*) Conferências ainda activas sobre ciência que ocorrem todos os anos em Solvay, Bélgica. A V Conferência é mais famosa porque 17 dos seus 29 confrencistas ganharam pelo menos um Prémio Nobel
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