Uma Boa Recomendação de Leitura de Verão ..... Para quem Quem Gosta
Há coisa de dois meses descobri uma edição francesa de um policial escrita por um autor português cujo título em francês é "Mort Sur Le Tage" (Morte no Tejo) e que em português é "Ulianov e o Diabo" cuja história tem como personagem principal um imigrante russo, ex-operacional das Tropas Especiais Spetsnaz e que depois de largar a vida militar se veio a juntar a um grupo da máfia russa.
O mesmo vem com a irmã para Portugal e ele acaba por implodir por dentro o grupo ao ser informante das autoridades portuguesas tendo uma pena de prisão reduzida, e acaba como empregado de construção civil, ainda mantendo contactos com os seus velhos camaradas da Spetsnaz.
Entretanto, a irmã se dedica a profissão mais antiga do mundo e se cruza com dois meninos-bem do eixo Sintra-Cascais que não têm qualquer pingo de escrúpulos e deste encontro com este par de meninos-bem nasce a trama que é uma critica mordaz ao poder político da república sobretudo ao nível municipal, aos chamados tubarões dos media, aos meninos-bem da Grande Lisboa que têm sempre as costas quentes e as autoridades policiais que protegem os mesmos meninos-bem.
O autor é Pedro Miguel Rosado e me obriguei a comprar uma edição em francês porque as edições em português dos livros mais recentes e sobretudo de autores portugueses custam sempre mais de 20 euros enquanto uma edição em francês de um qualquer autor mal passa dos 10 euros e a grande ironia reside quando vamos a comparar as folha salariais de franceses de portugueses e quando o SMN gaulês é mais de mil euros e o português é de 600 euros.
Mas voltando a vaca fria este livro tem um leve toque de Stephen King e com o decorrer da leitura me lembra outro autor de policiais que descobri por acaso, o dinamarquês Jussi Adler-Olsen, mas com uma abordagem a narrativa muito mais leve do que o autor da terra do Lego o que torna mesmo a leitura da edição francesa algo mais suave de ser feita e dá asas a imaginação do leitor.
A edição em português que é de 2006 só se acha em sites de alfarrábios mas a edição em francês é muito mais fresquinha, apesar disso a narrativa em si não deixa de ser actual.
Quando se diz que se vivem tempos de retoma não estou a usar o custo dos livros como desculpa, mas nunca se leu tão pouco como nos últimos tempos e por vezes acho que sou um alienígena no comboio ou metro quando estou com os auscultadores na cachola a ouvir o meu som e a ler enquanto o resto da canalha está agarrada aos telemóveis e talvez seja por isso porque não foram a bola com o Conan Osíris porque ele mandou um murro na consciência dos alienados que não se reconhecem como tal.
E ficam os meus bolos porque adoro bolos e estes bolos se transformam em telemóveis prontos a serem partidos: Porque os portugueses comuns passam o tempo agarrados aos telemóveis e não leem mais? Afinal se não estamos em crise, porque raio se lê menos do que nos tempos de Passos Coelho? Será Portugal uma nação de borregos analfabetos onde meia dúzia de habitantes não fazem parte do rebanho?
Como sempre leiam e reflictam
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