Há 25 Anos a Fórmula 1 Morreu e se Vestiu de Luto

Nestes três dias (29 e 30 de Abril e 1º de Maio) passam 25 anos daquele que se pode considerar o fim de semana mais negro da história da Fórmula 1 de que tenho memória em 40 anos de vida.


Há 25 anos dois pilotos perdiam a vida na pista de Imola - Itália no fim de semana em que decorria o Grande Prémio de São Marino.


A primeira vítima do fim de semana negro da F1 foi o austríaco Roland Ratazenberger que tinha falecido num acidente brutal durante os treinos de qualificação para o mesmo GP no dia seguinte em que Rubens Barrichelo literalmente enganou a morte num gravíssimo acidente nos treinos livres quando ainda dava os seus primeiros passos na classe rainha do automobilismo de velocidade na Sauber (actual Alfa - Romeo).


As leis italianas nestes casos não apresentam quaisquer dúvidas e logo no caso do piloto austríaco que era uma promessa do segundo pelotão da F1, a sua morte era o suficiente para suspender logo aí o Grande Prémio até investigação detalhada das autoridades italianas e a FIA e a FOM na altura chefiadas por Bernie Ecclestone não estavam para perder milhares de dólares em receitas que derivavam do GP e provas anexas como as classes de formação e troféus monomarca.


Por isso os mafiosos da FIA e da FOM disseram que o piloto austríaco tinha falecido não no circuito como se veio a provar em investigações posteriores, mas sim no Hospital de Bolonha e com esta justificação poderam avançar com a corrida.


Um corrida fadada a ser a mais tenebrosa e fatal dos mais recentes anos da F1 e na volta número 7, na curva Tamburello que naquela semana estava sem pneus de protecção... o melhor piloto de todos os tempos, o que muitos consideram o Enviado de Deus encontrou o seu destino deixando o mundo inteiro de luto e levando a F1 para um luto quase eterno.


Um luto global que parou o globo ao nível do que se sentiu quando em 1997 faleceu a princesa Diana de Gales e foi dos dias que chorei mais na minha vida.


Na segunda feira seguinte, no liceu onde eu estudei, haviam colegas meus que estavam tão abalados que não estavam em grandes condições para estar nas aulas e houve testes adiados por um ou duas aulas pelo menos para que se recuperassem do choque da perda do divino Ayrton Senna.


Além da morte do divino ainda o piloto português Pedro Lamy teve um acidente na boxe onde um pneu mal atarrachado saltou e acertou em pessoas que estavam na bancada e houve um abastecimento que correu mal e houve mecânicos queimados noutra equipa.


Este fim de semana negro aconteceu sobretudo devido a ganância de quem dirigia a F1 na altura e que no caso de ter sido honesta na altura que Roland perdeu a vida, teria logo suspendido a corrida e se teria evitado uma tragédia maior por um lado, e no caso do acidente de Rubens, hoje dia com a Liberty, suspendia logo os treinos até apuramento de causas como no recente Grande Prémio do Azerbeijão onde uma tampa de esgoto que apenas causou dandos materiais foi o suficiente para suspender todos os treinos livres de sexta-feira.


As mortes de Roland Ratzenberger e Ayrton Senna, os acidentes de Rubens Barrichelo e Pedro Lamy foram a chave para que se implementassem medidas extremas de segurança que redurizam quase a zero o risco de morte na F1 e a introdução recente do halo que foi contestada por muitos, mas a mesma já se revelou positiva porque já evitou lesões graves de muitos pilotos.


O último piloto a falecer na F1 em decorrência de um Grande Prémio foi o francês Jules Bianchi que morreu em consequência de um acidente sofrido no Grande Prémio do Japão de 2014 por negligência da equipa de pista que não removeu a tempo um tractor de reomção de um carro já acidentado e o Marrussia que conduzia embateu em cheio no mesmo tractor causando danos neurológicos irreversíveis ao mesmo piloto.


No ano anterior a piloto espanhola Maria de Villiota que era piloto de testes da mesma equipa faleceu em consequência de um ataque cardíaco que teve como causa primordial o acidente que teve um ano antes e foi um acidente um tudo de nada semelhante ao que causou a morte a Jules Bianchi.


Voltando ao assunto que está na génese deste mesmo artigo, hojer passam 25 anos que o maior piloto de F1 de todos os tempos transmigrou de forma trágica e muito provavlemente evitável.


Naquele dia eu queria gravar em vídeo a corrida para ver mais tarde, mas tinha-me esquecido de programar o vídeo automático para gravar a corrida e saí de casa com a minha família e fui comer umas bifanas para a Alameda para o 1º de Maio da CGTP e estava-me nas tintas para o discurso, só queria era saber o resultado do Grande Prémio.


Estive umas horas na Alameda e depois vim em passo demorado para a minha antiga casa e estranhei as pesssoas a olharem para as televisões dos poucos cafés que estavam abertos, mas não dei importância e liguei a televisão no Desporto 2 e a jornalista Cecília do Carmo solta a bomba que foi a notícia da morte do Divino.


Enfiei-me no meu quarto e não saí de lá durante horas e toda a minha família vinha confortar-me e depois foi uma semana onde até o liceu onde eu estava sentiu a morte do Divino da F1 ao ponto de haver provas adiadas e no dia do funeral nem quis acreditar na quantidade de almas que esperavam o corpo de um herói não apenas brasileiro mas global para a última viagem.


A geração que tem 40/50 anos teve o privilégio de ver este divino a voar baixinho nas pistas deste pequeno pixel de vida chamado Terra e viu a trágédia de Ímola nunca vai esquecer nem a tragédia e muito menos o Divino e a tragédia de Ímola foi o despertar da consciência para a criação de meios de segurança na F1 que continuam a ser melhorados ao longo do tempo.


 


 


Simplmy The Best..... Ayrton Senna


 


 


21/04/1960 - 01/05/1994   ∞


 


 



 

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