Portugal 1 - França 0, a doce vingança servida fria
A vingança é um prato que se serve frio e normalmente é um prato bem doce sobretudo no desporto e a final de dia 10 de Julho, foi a prova desta doçura que quase sempre a vingança executada na altura certa esconde, mas esta vigança de 10 de Julho não foi fácil e não foram poucas as chances em que esta vingança seria gorada e luta dos Patrícios 2.0 seria em vão.
Mas neste primeiro europeu de futebol com 24 nações se sabia logo a cabeça que não seria como os outros seja para o bem ou para mal e com o apuramento de três naçoes do Pote 5 dos sorteios das qualificações: Albânia, Islândia e Irlanda do Norte e outra do Pote 4: País de Gales que algo poderia acontecer e quando vi o alinhamento dos grupos disse a um vizinho meu que parecia que o sorteio tinha sido feito a medida para que a final fosse um Portugal - França; bem pelo visto acertei quando se chegou ao final da fase de grupos.
Esta final em parte desejada para que se batasse este borrrego das meias finais perdidas para a França sobretudo em Europeus e para dar a provar aos franceses o gosto do veneno que nos fizeram engolir em 1984 e 2000 e pagarem pelo gozo que tiveram quando a Grécia nos ganhou o nosso Euro no Estádio da Luz.
Está claro que não me caiu no goto esta qualificação para o mata-mata só com empates e o facto de Portugal só ter ganho um único jogo dentro dos 90 minutos que foi a meia-final com o País de Gales, mas o facto é que estávamos na final com um nossos arqui-inimigos em termos desportivos e em especial no futebol de seu nome França e quando se chega a este ponto num torneio de futebol todos os resultados são possíveis embora se soubesse que a França iria ser levada ao colinho.
E assim foi; Portugal entrou com medo e a França qual cão raivoso sentiu este medo e enconstou Portugal as cordas desde início havendo uma pressão terrível dos franceses que iam abrindo brechas nas linhas recuadas dos Patrícios 2.0 todavia Rui Patrício foi imperial nas redes lusas e nada lá entrou, mas na primeira parte tivemos o golpe de teatro que marcou o jogo pela negativa quando o jogador francês dá uma entrada por trás em cheio no joelho esquerdo de Cristiano Ronaldo e ainda nem tínhamos chegado aos dez minutos de jogo que colocou o capitão português fora da partida no minuto 25, mas que o árbitro fechou os olhos.
Com o passar do tempo Portugal foi ganhando coragem foi começando a ganhar domínio territorial aos franceses e ainda dentro dos 90 minutos, mais um penalty roubado a Portugal e no último minuto dos descontos os franceses falharam um golo feito e depois fomos para os 30 minutos do tempo extra, coisa que Portugal só não tinha feito na fase de grupos e contra os galeses.
E nos trinta minutos da nossa glória a França começou a perder a pilha e um um herói improvável começou a aparecer a incomodar a defesa francesa de uma forma cada vez mais sistemática e mais perigosa e a França apenas era no prolongamento uma pálida imagem da equipa que foi nos 90 minutos regulamentares e com esta França sem pilhas, Portugal que vinha aos poucos a ganhar as rédeas do jogo aos franceses, agarrou-as de forma derradeira e definitiva.
Neste jogo de emoções, e de muitos tremoços comidos e unhas roídas, o momento mágico que elevou os 23 escolhidos de Fernando Santos para a eternidade surgiu no minuto 109, quando Éder, o verdadeiro patinho feio da selecção marcou o golo da nossa maior alegria e de uma vingança que já estava na hora de cobrar de uma forma que fez a lembrar a maneira de chutar do Pantera Negra que foi o talismã dos Eternos Patrícios 2.0 que deram uma grande alegria num breve momento, este breve momento que nos fez esquecer a crise e os políticos corruptos e inúteis que nos roubam a auto-estima e a alegria de viver.
Esta vitória nacional nos fez sonhar que Portugal está a caminho de ser um país grande, com uma grande auto-estima e alegria de viver e fiquei pasmado, mas não surpreendido com a festa feita em todos os recantos onde houvesse portugueses, mas sobretudo nas antigas províncias ultramarinas onde a festa foi generalizada mesmo por aqueles que nunca falaram a língua de Camões como em Malaca ou os chineses de Macau e esta festa lusa transcontinental é o verdadeiro V Império que falava o Padre António Vieira e Fernando Pessoa.
Fica o marcador
Portugal 1 (Éder 109') - França 0
Parabéns Heróis
e ainda deixo três músicas dedicadas aos heróis
Comentários
Enviar um comentário