A Bondade da Época (Falsa)

Ontem tive que ir a uma convocatória do IEFP que afinal não serviu de nada porque só foi para marcar presença na zona dos Olivais e depois só consegui juntar dinheiro para a ida porque para a volta não tinha e lembrei-me de vir a pé para o meu alojamento custasse o que custasse, mas me esqueci que estou com uma dor cíatica que só agora está a passar aos poucos, mas ontem estava muito activa e me estava a impedir o andar normal.Estando assim, em desespero andei a pedir nas paragens quem me poderia ajudar para o bilhete do transporte e tive apenas recusas, umas amigáveis outras com duas pedras na mão e de quem recebi as pedras era de quem estava numa de ostentação muito normal da época e no fim dei por mim a pensar na gare do Oriente de como havia de fazer se ninguém me queria ajudar, embora já pensassem em ceias e prendinhas de Natal e em festas e outras bodegas que o Papa Francisco condena e ainda há pouco tempo considerou muitas das práticas natalícias como falsas e não nos podemos esquecer do que disse uma vez Mestre Scolari no Natal dos Hospitais que o Natal é o ano todo e não apenas no mês de Dezembro.Após pensar muito e ler algumas páginas do livro que estou a ler, respirei fundo para não deitar para fora toda a raiva que sentia e olhei os horários dos comboios e comecei a estudá-los a olhar para o meu relógio para calcular se demorava muito para eu chegar perto de casa e se fosse sem bilhete não poderia sair no Rossio mesmo se não fosse apanhado pelo revisor porque na estação do Rossio existem cancelas e mesmo em Campolide o acesso para a Linha de Sintra tem igualmente cancelas e nesta reflexão para saber como havia de me safar e muito andei a pensar e ver os comboios a passar e saber o que poderia fazer, sabendo logo a partida que ir a pé até ao Rossio era impossível para mim.


E puxei muito para moleirinha ao mesmo tempo que estudava o movimento dos revisores porque numa das linhas estava parado o comboio que faz o percurso Gare do Oriente - Sintra que ao fim-de-semana o percurso é estendido até Alverca e pára em Marvila e olhei para o relógio que estava em cima da plataforma e o ecrã que dizia as paragens que iria a fazer e segundo a informação que estava no ecrã, depois da Gare do Oriente apenas iria parar no Areeiro e pensei que ainda poderia aguentar ir a pé do Areeiro até ao meu alojamento e tinha que ter uma sorte diabólica para não ser apanhado sem bilhete.


E entrei apenas no comboio mesmo em cima da hora da partida e me escondi numa cadeia mesmo num canto a ouvir música e a ler e a espera que chegasse ao Areeiro e fui bafejado pela sorte porque cheguei ao Areeiro sem problemas embora o revisor estivesse na carruagem ao lado e passei por ele como nada se fosse embora tivesse o traseiro bem apertado com medo de ter que arrotar com alguma multa e fui com muita tranquilidade até a saída dos comboios que dá para a Avenida de Roma e quando cheguei e dita avenida, respirei fundo e pus-me a caminho de casa com a cíatica potenciada pelos nervos e fui andando devagar até chegar a casa e descansar um pouco.


Curiosa esta febre consumista da época que atravessamos onde têm fortunas para tudo que é bugiganga e não têm 1,25€ para um bilhete de comboio e quem foi mais violento na recusa foi um grupo de mulheres africanas que me trataram com desdém e alguma violência verbal numa verdadeira manifestação do mais puro racismo que para alguns partidos da república não é racismo e apesar destas racistas fui em frente e lá consegui chegar a casa.


Mas deixo um recado aos senhores do IEFP: quando marcarem um controlo quinzenal, marquem para uma zona perto da residência dos desempregados registados ou façam grupos conforme a morada e façam esta triagem porque por este andar estou a ver um desempregado de Miranda do Douro ou de Melgaço a ir responder a um controlo na Ilha da Madeira ou na Ilha do Corvo e caso Macau ainda fosse território sob administração portuguesa ainda enviavam os desempregados para Macau para responder aos controlos quinzenais que não servem para muito porque não apresentam quaisquer propostas de cursos de formação ou mesmo de emprego e afinal só foi para assinar uma folha.


Enfim é este a nação que temos que nesta altura se mostra tão bondosa e no fim das contas não passa, nesta altura do ano, fica materialista, cínica e racista e ao mesmo tempo que se preocupam com os refugiados da Síria e não se preocupam a mínima com os Portugueses que precisam nem que sejam uns trocos para apanhar um transporte para ir para casa...


Nem faço perguntas, apenas deixo o pedido de sempre para ler, comentar e divulgar

Comentários

Mensagens populares