O Elevador de Santa Justa Já Não é dos Lisboetas
O velho elevador de Santa Justa projectado por Raoul Mesnier du Ponsard inaugurado em 1902, já não é um transporte para os Lisboetas ou para aqueles que fazem de Lisboa e a zona do Carmo e do Bairro Alto o seu local de trabalho; mas sim apenas um local apenas para turistas onde a Carris (empresa pública) tem um verdadeiro maná porque cada viagem sem bilhete pré-comprado custa 5 euros e sabendo que uma viagem de ida e volta no elevador de Santa Justa leva 30 passageiros, agora basta fazer as contas em quanto é que fica em termos de lucros um dia de função do elevador de Santa Justa.
De alguns anos para cá a discriminação que os lisboetas (não só os naturais de Lisboa como aqueles que trabalham na capital lusitana) sofrem em relação aos turistas nos transportes públicos tem vindo a aumentar e o elevador de Santa Justa é o mais descarado paradigma desta vergonha que se passa em Lisboa com uma impunidade nojenta e ainda para aumentar mais o maná, quem quiser subir ao cimo do elevador de Santa Justa tem que pagar mais 1,50€.
E o mesmo elevador agora se encontra em obras tendo apenas uma cabine a funcionar e o passadiço que dava acesso directo ao Largo do Carmo foi substituído por um passadiço provisório há um par de anos pelo menos que fez o favor de extirpar o local onde era a papelaria da extinta Escola Secundária Veiga Beirão e cuja entrada foi engalanada com pseudo-rendilhados transformando o pátio principal da Veiga Beirão numa espécie de anexo do Largo do Carmo; as mesmas obras e que apenas permitem o uso de uma só cabine, faz com que este mesmo elevador seja apenas para turistas e mesmos estes têm que ter uma paciência de Job porque as filas para se entrar no elevador de Santa Justa chegam a ter por vezes uma ou duas dúzias de metros e além disso a obra não se sabe quando vai estar pronta.
Agora para o cidadão comum que queira chegar ao Largo do Carmo ou as suas áreas próximas tem algumas opções alternativas e cada uma pior do que a outra: uma é entrar pelo lado da estação de metro Baixa-Chiado que dá para a Rua do Crucifixo e subir as escadas rolantes do lado oposto e que vão sair ao Largo do Camões o que até em termos físicos pode ser saudável, mas por outro lado se revela uma desnecessária perca de tempo se a Carris investisse a sério na mobilidade o elvador de santa justa voltaria a sua essência e seria um transporte uisado por todos que precisassem dele e não apenas os turistas que todos os dias saturam o passeio da Rua do Ouro onde fica o elvador de Santa Justa dificultando e muito o caminho das pessoas que têm que passar exactamente por aquele lado da Rua do Ouro devido as infindáveis filas causadas pela existência de uma cabine só em funções devido as obras que nunca mais acabam no elevador de Santa Justa e o passadiço que nunca mais está feito, embora os danos feitos na antiga Escola Secundária Veiga Beirão já estejam feitos, num edifício com os devidos retoques poderia ser transformado num centro de formação profissional poupando a muitos utentes do IEFP idas de transporte e algumas bem onerosas.
Enfim, houve ou há um autor francês do qual não me recordo do nome que disse que Paris não passava de um gingantesco hotel artificial e sem vida e a Lisboa que eu conheci nos anos 80 é muito diferente da actual, demasiadamente turística e com demasiados turistas para uma cidade verdadeiramente histórica para o mundo e que ao mesmo tempo está cada vez mais fechada para os seus moradores que são transformados em reculusos numa cidade que os viu nascer ou então acabam para ter que irem viver para os subúbios da mui nobre e sempre leal cidade de Lisboa que em algumas zonas parecem favelas, não pode serem bairros de lata; mas porque a marginalidade cresce nestas mesmas zonas numa forma expoencial.
Mas voltando a vaca fria, o elevador de Santa Justa quando foi concebido há 113 anos não foi como transporte de turistas para o Bairro Alto que não querem subir uma das sete colinas e não fazer aquilo que quase 600 mil habitantes (só Lisboa cidade) fazem todos os dias que é subir e descer as colinas da cidade das 7 Colinas, mas sim como transporte público para facilitar a mobilidade dos habitantes e visitantes da cidade.
Dá dó ver um transporte público da cidade tomado de assalto pelos turistas, e quando um lisboeta quer usar o elevador de Santa Justa como transporte, simplesmente não o pode fazer porque se tornou em algo demasiadamente turístico e não nos podemos esquecer que em Lisboa quase que tratam das hemorróidas dos turistas com a língua e os lisboetas muitas vezes são tratados como cães sarnentos e já passei por esta situação e vi outrtas pessoas passarem pelo mesmo.
E ficam as minhas perguntas de sempre: Quando é que o elevador de Santa Justa volta a ser dos lisboetas? Para quando uma Lisboa menos turística e mais humana? Será preciso fazer alguma petição para tornar os elevadores da Carris transportes públicos como sempre foi a sua génese? O que têm de especial os turistas para serem previligiados numa cidade cheia de miseráveis?
Como sempre vos peço para ler, comentar e divulgar
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