Silencioso Temporal
Só hoje achei um pouco de cabeça para escrever sobre o protesto deste Domingo, dia 16, da chamada Família Militar que serviu para unir forças e ao mesmo tempo para ser uma espécie de despertar de consciências sobre a situação dos militares e também para enviar uns quantos recados velados, tanto para o poder da república como para dentro dos quartéis.
Apesar de mostrar a raiva contra os cortes extremos aplicados as Forças Armadas sobretudo nos salários, pensões e serviços sociais, o protesto deste Domingo foi relativamente pacífico embora se tenha não só o protesto das alunas do Instituto de Odivelas e respectivas mães, bem como o protesto de todos os militares ao activo e reformados contra os cortes que chegam a ultrapassar os mil euros mensais e que coloca em causa a dignidade dos mlitares segundo os mesmos manifestantes.
Não nos podemos esquecer que há relativamente pouco tempo publiquei aqui neste mesmo recanto que há casos de militares a pedir os restos das messes para terem que comer e/ou terem comer para as suas famílias devido aos cortes sádicos feitos em nome de uma dívida que cujos culpados apenas são os percevejos que constituem o poder político da república desde 1910 com uma ou outra variação ao longo dos anos e a Família Militar saiu para a rua de forma pacífica mas não de forma submissa e muito menos silenciosa porque começou ao som de uma música que marcou não a presença portuguesa na Eurovisão, mas sim marcou uma certa data numa certa e esquecida Primavera de há 40 anos atrás com o título "E Depois do Adeus" intrepertada por Paulo de Carvalho e depois junto ao parlamento cantaram outra pérola de Abril "Grândola, Vila Morena" e outras músicas de Zeca Afonso além do hino nacional e de novo se ter cantado "E Depois do Adeus".
O relativo silêncio foi subitamente interrompido pelas alunas do Instituto de Odivelas que vieram protestar contra o encerramento do Instituto de Odivelas se fizeram ouvir com um verso inspirado pela malha dos Quinta do Bill "Filhos da Nação" que foi assim: "Estas são as filhas da nação, já adultas podem crer, ansiosas por saber, se o IO tem solução".
Além das canções de protesto houve discursos que foram verdadeiros recados para quem quisesse ouvir começando pelo presidente da Associação de Oficiais das Forças Armadas, Coronel Pereira Carcel fez a lista das situações que "vão afectando a vida profissional, mas também social e psicológica dos militares": a redução das remunerações, a "redução cega" de efectivos, as alterações à situação de reserva, a implementação de normas e procedimentos àquilo que já tinha sido contratuado, a dupla penalização nas reformas, a extinção do fundo de pensões, entre outras situações "de um processo de empobrecimento forçado". O que, nas palavras de Cracel, desmotiva e indigna os militares, provocando-lhes "sentimentos de revolta nada recomendáveis", ou seja, os oficiais estão no limite do ponto de ignição para algo que poderá acontecer.
Mas não são os únicos porque todas as patentes protestaram não só contra as situações críticas que o General Pereira Carcel apontou bem como tocaram no novo brinquedo favorito do Führer Passos Coelho que são os cortes que no caso das Forças Armadas chegam aos mil euros; além disso os militares elogiaram a polícia que guardava o parlamento e o General Pereira Carcel ainda acrescentou algo que o poder da república esqueceu: que os militares foram os primeiros responsáveis pela presente Constituição e acusa o desgoverno actual de "desconjurar" a mesma Constituição.
Na mesma linha o Sargento Lima Coelho, Presidente da Associação de Sargentos disse que não pretendia subir as escadarias do parlamento e as únicas escadarias que pretende subir são as da justiça e não ficou por aqui porque ainda disse: "As Forças Armadas estão serenas mas não estão submissas" e com estas palavras que tanto são para consumo externo como são para consumo interno das Forças Armadas como fossem mensagens para os quartéis e também foram recados para o poder político da república que não passa de um colchão cheio de percevejos como disse Ramalho Ortigão e que urge eliminar antes que surjam parasitas mais perigosos em Portugal porque este poder político da república não respeita nem nunca respeitou aqueles que serviram de alavanca para os tachos que têm; uma alavanca chamada Forças Armadas que há 40 anos alavancaram a subida ao poder do presente poder político da república num suposta democracia que está eclipsada pela ganância e pelos interesses particulares e de certos grupos mais ou menos secretos.
E ficam as minhas perguntas sem resposta: Porque não respeitam as Forças Armadas ? Porque raio o poder político da república não respeita as Forças Armadas que foram os mesmos que nos deram a liberdade ? Será que o poder político da república tem alergia a liberdade e a democracia ? Que caminho leva Portugal ? Aonde isto nos vai levar ? Será que vamos ter algo mais que uma simples manifestação nos tempos mais próximos ? Que raio de comadante supremo é o presidente da república que promulga cortes que fazem com que parte generosa dos militares ande a pedir restos nas messes ? Que porra é esta de nação ? O que é feito do 25 de Abril ? Para que nos serve a república e o seu presidente ?
Como sempre vos peço para ler, comentar e divulgar
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