Senhor Ministro da Saúde, Não é Apenas um caso Isolado
Nestes dias mais recentes as urgências hospitalares têm sido tema mais do que recorrente nos telejornais pelos piores motivos como é sempre e desta vez não são os cortes, mas os tempos excessivos de espera, sobretudo nos hospitais situados na periferia de Lisboa que têm batido todos os recordes de espera para atendimento e depois na imprensa vêm dizer que são casos pouco urgentes e que a espera apenas se deve a um pico de afluência.
Se falou em várias horas de espera como o caso de uma adolescente que esperou 24 horas para ser atendida com um pé partido e outros casos onde o tempo de espera foi sempre superior a 4 horas em casos graves e já me tem acontecido tempos de espera semelhantes, e por vezes me falta a paciência e me venho embora.
Nestas minhas desistências há alturas que sei que poderei aguentar um pouco mais, outras nem por isso e me têm feito esperar mais de 4 horas com enxaquecas insuportáveis ou uma vez fizeram esperar a minha mãe diabética com dores ósseas e ela acabou por desistir e passar uma noite horrível cheia de dores mas tinha que comer e tomar a sua medicação e não o poderia fazer na urgência hospitalar e felizmente que nunca passou muito além das 4 horas porque fomos sempre a S.José e como hospital central em Portugal nem é dos piores em tempo de espera e ainda há coisa de uma semana fui lá parar por causa de uma convulsão e a espera foi surpreendentemente curta; todavia sei que estas esperas que aparecem nos telejornais são de casos com alguma gravidade como este caso do pé partido que sei por experiência própria é algo de estupidamente doloroso mesmo para quem como eu tem um bom controlo da dor e aguenta dores extremas e dizer que um pé partido não é urgente dá que pensar na competência do enfermeiro que fez a triagem do caso.
E o avolumar dos casos de espera extrema nos hospitais com urgência geral da periferia de Lisboa que são todos por acaso PPP's como o Amadora-Sintra, Cascais, Garcia de Orta ou Beatriz Ângelo em Loures hoje chegou ao seu ponto mais grave quando uma mulher morreu de enfarte no Amadora - Sintra quando já estava há 6 horas a espera para ser atendida e o ministro da saúde, Paulo Macedo, diz que é um caso isolado e que as "reais urgências" são atendidas dentro do tempo "normal" de espera e o senhor ministro tal como boa parte do desgoverno está a mentir porque tomando S.José como bitola do tempo de espera já vi doentes com pulseiras de triagem amarela e mesmo laranja esperar mais de um hora e em alguns casos mais de duas para serem atendidos e casos graves mesmo como casos de problemas respiratórios, do aparelho circulatório ou outros casos onde o esgar de dor do doente pede um olhar imediato nem que seja de um enfermeiro e não se admite como já me aconteceu com um caso de asma esperar DUAS HORAS sem oxigénio ou qualquer medicação e outros casos igualmente graves que os doentes desesperam para ser atendidos e há coisa de 7 anos, aqui o vosso amigo teve que partir para a estupidez ao ponto de andar aos murros as portas e paredes porque não havia meio de atender a porra de uma unha encravada do pé com foco infeccioso e ainda tive que esperar mais de uma hora mesmo assim.
As urgências hospitalares não funcionam nem nunca funcionaram como o senhor ministro diz e o sistema de triagem de Manchester tem demasiadas falhas que causam demasiada espera que não se explica com o afluxo de doentes ou algo parecido porque se morrer a esperar para se ser atendido numa nação que canta de peito feito a existência do seu SNS, mas que nunca é usado pelos ministros e restante quadrilha do poder político da república, nem no tempo do Estado Novo e gostava de saber para que servem as taxas moderadoras que pedem quando uma pessoa se inscreve numa urgência hospitalar quando se esperar num hospital é literalmente esperar pela morte.
Estas esperas que tomaram outros tons com esta morte e com o Bloco de Esquerda a questionar Paulo Macedo e quando se vê ambulâncias em Lisboa sobretudo em S. José e D. Estefânia de locais que em teoria seriam da área dos hospitais de periferia e todos PPP's e cada vez são mais, faz com que se pergunte para que raio servem os hospitais como o Garcia de Orta ou Amadora - Sintra, se os doentes das suas áreas não são lá atendidos e não é o primeiro caso de doentes que se queixam de maus tratos nestes mesmos hospitais e se estão a fazer cortes na saúde, porque então não se cortar nos altos cargos hospitalares e se fechar ou despromover de hospital para SAP's estes mesmos hospitais de periferia e todos PPP's que não servem rigorosamente para mais nada a não ser passar receitas e assinar certidões de óbito.
E ficam as minhas perguntas de sempre: Para que servem estes hospitais de periferia ? Não se poderia despromover estes hospitais tidos como centrais para o estauto de distrital ou mesmo para simples SAP's ? Porque hão de ser PPP's ? Quem ganha com a existência destes mesmos hospitais ? Porque não são devidamente auditados ? Quando é que acaba esta espera pela morte ? Para que servem as taxas moderadoras ? Para onde vão os nossos impostos ? Para que nos serve a república e o seu presidente ?
Como sempre vos peço para ler, comentar e divulgar
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