Mentira Escondida com o Rabo de Fora
E a X Comissão Parlamentar dedicada ao Caso Camarate voltou a colher mais um fruto desta árvore de interesses que é a ocultação da verdade sobre o magnicídio de 1980 e que mostra que nesta nação a traição no poder pode ser tão tradicional como comer sardinhas no santos populares ou algo semelhante.
Agora foi a vez do antigo Chefe do Estado Maior General das Forças Armadas e Chefe do Estado Maior da Força Aérea, General Lemos Ferreira ir depor no parlamento e começou logo por afirmar aos deputados que desconhecia o Fundo do Ultramar ou mesmo a gestão da cantina do Estado Maior e o objectivo primário dos deputados da X CPI sobre o atentado de Camarate era saber quais as informações que o General Lemos Ferreira poderia ter sobretudo sobre o Fundo do Ultramar quando este era o CEMGFA e com lugar por inerência ainda existente Conselho da Revolução e apesar do alto cargo, garantiu aos deputado que este mesmo fundo era matéria do foro político e que o conselho dos chefes nada teria a ver com isto mesmo apesar do alto cargo que ocupou nos anos 80 do século pasado.
Até aqui nada demais, até quando a contradição aparece quando o mesmo general como membro do Conselho da Revolução votou a favor da extinção deste mesmo Fundo do Ultramar e a contradição ainda mais se descobriu quando o mesmo General Lemos Ferreira foi questionado pelo representante das famílias das vítimas com datas, nomes de navios e conteúdos de contentores relacionados com a venda de dez helicópteros Alouette (fabrico francês) a República da África do Sul, na altura exacta em que era o CEMGFA e já estaria a decorrer a investigação sobre o uso do mesmo Fundo do Ultramar para tráfico de armas por parte de Amaro da Costa, o mesmo general apenas aponta que os seus préstimos neste negócio teria apenas a ver com "questões técnicas" e nada tinha a ver com questões políticas.
Aconece que não nasci ontem e já ouvi falar em tanta mentira no regime republicano, e em especial sobre o Caso Camarate que é impossível acreditar que o General Lemos Ferreira estava na ignorância em relação aos negócios de armas porque ele era a cabeça pensante das Forças Armadas e acima dele só o ministro da Defesa, Amaro da Costa; o primeiro-ministro, Sá Carneiro e o presdiente da república, Ramalho Eanes e não me venham dizer que o General Lemos Ferreira não saberia pelo menos rumores de negócios sujos com este mesmo Fundo do Ultramar, tal negação seria como um qualquer ministro ou primeiro-ministro afirmar de boca cheia que desconhece as acções e actos dos seus subalternos e que pelo que se sabe tal "desconhecimento" é utopicamente imposssível.
E já que o mesmo General Lemos Ferreira mencionou o conselho dos chefes da altura, então os que ainda forem vivos que venham também responder as mesmas perguntas que Lemos Ferreira para se ver se se consegue achar um mínima verdade sobre este caso que cada vez mosra mais um lado podre e negro da república que é a prova cabal que este regime republicano português com poucas excepções não passa de um ninho de percevejos e não esquecer que nesta história se ouviu falar num oficial norte-americano, um tal de Oliver North que esteve metido no caso Irão-Contras em tempos de Regan e que andou aqui em Portugal a passear nas alturas do atentado de Camarate; de facto dá que pensar.
E ficam as minhas perguntas de sempre: Será que Lemos Ferreira mentiu ? Quais as ligações de Lemos Ferreira ao atentado de Camarate e os negócios de armas ? E os outros chefes sabem de alguma coisa ? Quando se vai saber a verdade sobre Camarate ? Quem são os verdadeiros culpados ? Será que alguma vez se vai saber a verdade ?
Como sempre vos peço para ler, comentar e divulgar
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