O Lado Português da Operação Gládio é Camarate ?
As reuniões da X Comissão Parlamentar relativa ao atentado de Camarate que assassinou Francisco Sá Carneiro, Adelino Amaro da Costa, Snu Abecassis, seus acompnhantes e a tripulação do avião que os levava ao Porto para um comício das eleições presidenciais de 1981 está a ser uma espécie de Caixa de Pandora que abre ligações que nem lembram ao diabo.
Para quem não sabe, Gladio é uma rede hiper-clandestina organizada pela NATO que queria evitar a invasão soviética da Itála sobretudo depois do Comprimisso Histórico que foi a coligação entre os Democratas-Cristãos e os Comunistas para formação de um governo estável liderado por Aldo Moro, mas esta mesma rede se suspeita estar por detrás ou ter ligações com outros crimes políticos como o rapto e assassinato de Aldo Moro pelas Brigadas Vermelhas.
Acontece que hoje na X Comissão sobre o caso Camarate apareceu de novo a ligação do crime a tráfico de armas para o Irão na altura que a guerra Irão - Iraque dava os seus primeiro passos e Portugal seria em teoria (apesar de ser aliado dos EUA, parte interessada nesta guerra, tal como a URSS) um pais neutral neste conflito regional, todavia, o falecido diário português "Portugal Hoje" denunciou na sua edição de 11 de Novembro de 1980 (menos de um mês antes do atentado, precisamente 3 semanas exactas) que haveria tráfico de armas para a pátria dos Ayatolas contrariando ordens do ministro da Defesa da altura, fundador do CDS e uma das vítimas dos crimes de Camarate, Adelino Amaro da Costa.
Nas inquirições de hoje que apenas tiveram uma sessão e um questionado que foi o jornalista João Gomes, director do Portugal Hoje, que se mostrou evasivo e não disse de forma directa o nome do jornalista que despoletou a bomba dizendo aos deputados apenas que o jornalista que fez a reportagem era um jornalista de baixa estatura e que tinha ido para o Expresso e que já tinha falecido (que conviniente), no entanto o nome do jornalista Celestino Amaral foi divulgado e o mesmo João Gomes confirmou que era o tal jornalista e a deputada socialista Isabel Oneto, que era na atura estagiária no mesmo jornal confirmou que as descobertas de Celestino Amaral sobre a venda de armas para o Irão foi trabalho para vários meses.
Acontece que o "amnésico" João Gomes diz que o seu jornal nada apurou há 33 anos e apenas deixou pedidos de pareceres em relação a suposta participação estrangeira na Fábrica de Explosivos da Trafaria ou sobre a passagem de aviões da African Air Charters por Portugal e a única que se se conseguiu foi um comunicado de dia 12 de Novembro de 1980 em que "uma nota conjunta dos ministérios dos Negócios Estrangeiros e da Defesa Nacional, cujos titulares eram, respectivamente, Freitas do Amaral e Amaro da Costa, refere que o Governo não autorizou nem vai autorizar qualquer venda de armas ou munições ao Irão. Naquela reacção, o Executivo liderado por Francisco Sá Carneiro assegura que nenhuma entidade estrangeira tomará posições na sociedade portuguesa de explosivos e que não será autorizado o trânsito de “aviões militares de qualquer procedência transportando armamento ou munições com destino ao Irão.”
Mas a defunta publicação não ficou contente com a resposta do executivo da AD e avançou com a hipótese de haver armas portuguesas no Irão através de intermediários e falou também em interesses israelitas que teriam levado a pareceres e conversações sobre o futuro da indústria portuguesa de armamento.
Para os da minha geração ou mesmo mais velhos, devem-se lembrar que os anos 80 em Portugal além da abertura ao rock vindo de fora e da grande música empastilhada que se fez em Portugal e da qual ainda restam uns quantos dinossauros, foi uma década agitada onde havia terrorismo tanto internacional como nacional e ainda está na memória de todos o assalto da embaixada da Turquia em Lisboa por um comando arménio ou o assassinato em Montechoro no Algarve de um enviado da OLP à reunião da Internacional Socialista quando se começava de forma muito tímida a se falar de paz no Médio Oriente apesar da guerra Irão - Iraque e da guerra no Afeganistão ou então das temidas FP-25 entre outros grupos e grupúsculos semelhantes, lembrando a Itália dos anos de chumbo em quem ditava a verdadeira lei era a rede da Gládio e não nos podemos esquecer do caso Camarate que muitos apontam ter ligações ao caso Irão-Contras que era troca de armas norte-americanas vendidas ao Irão por reféns americanos de organizações terroristas espalhadas pelo Médio Oriente e cujo chefe era o Tenente-Coronel dos Marines (Fuzileiros) dos EUA, Oliver North que pegava no dinheiro angariado e andava a financiar os rebeldes Contra da Nicarágua embora a Lei dos EUA o proibisse e até tenha acontecido uma espécie de Watergate revisitado e onde as fitas que incriminavam o pluripotente presidente dos EUA Ronald Regan sumiram no ar como nunca tivessem existido e o Ten.Cor. Oliver North foi reformado e goza os rendimentos e se fala também que o alvo seria apenas Amaro da Costa e não Sá Carneiro, mais menos semelhante ao crime de Dallas onde um alvo era um (JFK) mas houve um dano colateral (o governador Connelly, do Texas)
E ficam as minhas perguntas de sempre: Qual a ligação entre o tráfico de armas e o atentado de Camarate ? Terá o caso Camarate algo a ver com a rede Gladio pelo facto de Sá Carneiro ser anti-americano e nacionalista dos 7 costados ? O que Israel e o Irão e os os EUA têm a ver com isso ? Quem ganhou com o magnicídio ? Quando se vai saber a verdade sobre Camarate ? Para que nos serve a república e os seus presidentes ?
Como sempre vos peço para ler, comentar e divulgar
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