O Facto Real, Maçonaria é de Facto o Estado Dentro do Estado Em Portugal e Não Só (Primeira Parte)

Tenho vindo a adiar este artigo de fundo com muita pesquisa na imprensa semelhante ao dossier sobre Salazar que me levou quase seis meses a concluir, mas neste caso as fontes documentais me cairam verdadeiramente no colo, bastanto ter olho vivo para as pescar literlamente dos jornais e revistas quer sejam nacionais como estrangeiras (francesas mais em específico) para absorver o máximo de informação e confesso que estava a procura de mais material sobre sociedades secretas e afins na imprensa sobretudo francófona, mas uma entrevista que veio no I e no Sol despoletou este artigo já mencionado antes aqui neste vestuto recanto bloguístico e hoje a ser realizado.


É do conhecimento das mentes mais cultas da nação portuguesa que a sociedade secreta conhecida por maçonaria teve sempre desde da sua entrada em Portugal no século XVIII da era de Cristo, mas precisamente em 1770 no arquipélago da Madeira onde foi fundada a primeira loja maçónica da qual se tem conhecimento em território português e sabe que pelo menos o pluripotente Sebastião José de Carvalho e Melo, também conhecido por Marquês de Pombal era pedreiro-livre ou maçon que pelo se sabe iniciado em Viena na sua temporada austríaca (Pombal era um dos "estrangeirados", que eram portugueses emigrados em vários países europeus em pleno Século das Luzes que vieram mudar completamente a forma de ver o mundo em Portugal e destes também faz parte Luiz António Verney, primeiro reformador do ensino em Portugal).


E muitos podem pensar que a influência dos pedreiros-livres quer sejam as Grandes Lojas (rito inglês) ou os Orientes (rito francês) apenas em termos de infiltrações no poder teriam ficado apenas pelo carrasco dos Távoras e reconstrutor de Lisboa e nesta associação que se diz discreta, mas que cada vez é menos discreta dada a rede de influências que tem no poder actual da república em Portugal tem também um historial de traições e espionagem dignas de fazerem parte dos livros de John Le Carré (O Espião que veio do frio) ou de Ian Fleming (James Bond) porque pouco tempo depois das invasões francesas uma viscondessa; a Viscondessa da Juromenha, mulher casada mas amante do General William Beresford, General Inglês e homem-forte de Portugal quando a corte primeiro de D.Maria I e depois de D.José estava ainda refugiada no Brasil e de que cuja relação resultaram 3 descendentes passava tudo que o general fazia para a fraternidade sendo a primeira mulher a fazer parte dos pedreiros-livres, mais precisamente na Loja Virtude no ano da graça de 1814 e ironicamente o padrinho maçónico da Viscondessa denunciou ao general inglês o seu Grão-Mestre o general português e antigo membro da Legião Portuguesa de Napoleão Bonaparte, sendo Gomes Freire de Andrade condenado a morte, ele e mais onze pessoas por suposta traição à pátria sendo todos enforcados e posteriormente queimados, os onze no Campo de Santana, conhecido actualmente pelo nome de Campo dos Mártires da Pátria, em Lisboa e Gomes Freire de Andrade no forte de S. Julião da Barra em 18 de Outubro de 1817 e sinceramente aqui o traidor a sério foi quem denunciou Gomes Freire.


Mas o poder e a influência desta irmandade que segundo os anais da história remonta a Idade Média e reclama ligação aos Templários em no caso português, algum tempo depois da morte de Gomes Freire de Andrade, que deu nome a uma artéria da capital da Lusa Pátria; se formou no Porto um grupo que deu pelo nome de Sinédrio (derivado do mesmo nome do supremo tribunal judaico) que em 24 de Agosto de 1820 encabeçados pelo juiz-desembargador Manuel Fernandes Tomás que perante os habitantes da Cidade Invicta reivindicaram a realização das Cortes para que fosse criada uma constituição, golpe de estado que teve sucesso em especial porque a associação semelhante que havia na capital se uniu a associação nortenha e a Junta Provisional do Governo do Reino tinha nada mais nem menos que 9 maçons entre os seus 15 membros e 50 dos 116 deputados eleitos para as primeiras Cortes Constituintes eram também pedreiros-livres e estes mesmos irmãos colaboraram no final da inquisição e na instituição da liberdade de imprensa.


Com estas alterações na metrópole. D. João VI, voltou com a corte e foi recebido por 100 maçons que vinham com laços azuis e brancos atados ao braço e entretanto o Príncipe D.Pedro (futuro D. Pedro IV de Portugal e I do Brasil e igualmente maçon) que em Terras de Vera Cruz frequentava a Loja Comércio e Artes que foi força motriz da independência brasileira e da qual D. Pedro IV (I do Brasil) se tronou Grão-Mestre em apenas dois meses, pouco tempo antes de ser declarado imperador e como cúmulo da ironia o primeiro imperador brasileiro e que também era maçon que ironicamente proibiu a maçonaria em território brasiliero para tentar acabar com os conflitos políticos na luta pelo poder entre os seus irmãos de fraternidade e estes, apesar da proibição estiveram do lado de D.Pedro IV nas guerras liberais e aí começou o banquete do poder entre os irmãos do avental.


Este banquete começou quando logo depois da vitória dos Liberais nas guerras liberais, em 1834, estes passaram a pasta do poder a maçonaria que conseguiu formar um governo 99,99 % maçon e que a única excepeção a esta regra era o proprio chefe de governo, Duque de Palmela; e naquele parlamento, chamado de Câmara dos Deputados, 71 % dos 155 deputados eram maçons e logo aí começaram cisões e traições entre irmãs cujo primeiro corte foi feito pelo Marquês de Saldanha que provocou um corte no Grande Oriente Lusitano (fundado em 1802), a chamada Maçonaria do Sul e Passos Manuel paga na mesma moeda com a criação da Maçonaria do Norte e mesmo apesar destas divisões o poder foi mantido nas mãos destas sub-farternidades.


E esta manutenção do poder assegurada por Costa Cabral quando este se tornou ministro do Reino (primeiro-ministro) se tornou um espinho para a maçonaria em especial depois da invasão da Grande Dieta (Parlamento Maçónico) por parte de 100 irmãos apoiantes do Marquês de Tomar chegando ao ponto de ocupar o templo maçónico, terem agredido vários irmãos e chegando a eleger um irmão do Marquês de Tomar, José Costa Cabral; e cem anos antes dos primeiros passos do Homem na Lua, os maçons chegam a entendimento no chamado Grande Oriente Lusitano Unido que entre os seus grão-mestres conta com nomes como Bernadino Machado (presidente da república) Elias Garcia (presidente da CML) ou António Augusto de Aguiar, ministro das obras públicas.


A entrada fulgorante da maçonaria nas entranhas do poder foi tão forte que entre 1834 e o final do 19º século da Era de Cristo existiram 12 chefes de governo maçons e constam como maçons no "Dicionário de Maçonaria Portuguesa" de Oliveira Marques nomes como: o Duque de Saldanha, o Conde de Lumiares, o Barão de Sabrosa, o Marquês de Sá da Bandeira, o Conde de Bonfim, o Duque de Loulé, Anselmo Braancamp, Rodrigues Sampaio, José Luciano de Castro e José Dias Ferreira (bisavô de Manuela Ferreira Leite, surpresa não acham) e em 44 governos que existiram neste período, eram 25 os que eram chefiados por maçons e alguns deles foram nomeados mais do que uma vez e no periódo pós guerras liberais até o final do século XIX, em 66 anos de poder; 43 anos, três meses e 19 dias tiveram nas mãos dos maçons que com tanto poder, o GOL passou a sua sede de uma casa arrendada para um palácio na Rua do Grémio Lusitano onde ainda mantém a sua sede e museu e quadriplicou os seus membros que em 1904 eram já 1949 divididos por 85 lojas.


E a mesma maçonaria que fez tudo para colocar e manter no poder a monarquia constituicional, foi a primeira também a traí-la porque foi a mesma maçonaria que desenhou o golpe terrorista de 5 de Outubro de 1910 que começou a ser desenhado no Verão deste mesmo ano triste e infame e depois do 5 de Outubro começaram as traições mais extremas dentro da maçonaria, mesmo apesar de 5 dos 8 governantes do governo provisório da Primeira República serem maçons e estas traições e as primeiras grandes infiltrações no poder da república começaram logo na altura da eleição do primeiro presidente da república quando a loja Fiat Lux apelou a todos os irmãos que elegessem o Grão-Mestre presidente da república, todavia aconteceu uma infame traição quando se sabendo que metade dos deputados do primeiro parlamento da Primeira República eram pedreiros-livres não votaram no Grão-Mestre da altura (Magalhães Lima) que recebeu apenas um voto favorável (muito provavelmente votou nele mesmo)num universo de 217 e ainda aguentou com 4 votos em cima dos lombos; esta traição fez com que a loja Obreiros do Trabalho envie a todas as outras lojas a lista dos 109 maçons traidores.


(continua amanhã...)

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