Nunca Salazar Esteve Tão Na Moda III (os dias do fim)
Dando continuação a série de artigos de fundo sobre Salazar, melhor sobre os seus últimos dias e hoje vos venho falar sobre o verdadeiro plantel de médicos que o ditador teve por sua conta e que nem sequer Mourinho ou Jorge Jesus têm nos seus clubes em jogadores, e vos digo isto por o mais ilustre e conhecido cidadão de Santa Comba Dão foi assistido, pasmem-se, por 43 médicos e a título de exemplo quando eu fu atropelado em 1997 por uma moto e apesar de ter batido com força com cabeça no chão duas vezes, ter derrubado um semáforo da segunda vez que bati com a cabeça no chão e ter ficado apenas com um fémur desfeito, apenas fui assitido por equipa de três ortopedistas dado o estado miserável que ficou o meu fémur e não tive nenhum neurocirugião em cima de mim.
Mas em Portugal sempre foi assim o poder sempre teve tudo o que quis qualquer que fosse o regime em especial nos últimos 100 anos e o tratamento médico de Salazar é o claro exemplo embora a equipa médica de Salazar reflicta uma cena verdadeiramente kafkaina porque o núcleo duro desta equipa de 43 médicos era toda, mas mesmo toda, da oposição; o neurocirugião que operou Salazar estava ligado ao Partido Comunista, alguns dos médicos eram da maçonaria que Salazar teoricamente perseguia, embora uma obra saída recentemente defenda que Salazar era "irmão" da faternidade do Avental.
A fonte que cede a lista público em geral não poderia ser mais fiável do que o boletim clínico do próprio Salazar onde vem mencionado que nos dois derradeiros anos acima da terra da cabeça maior do Estado Novo, este foi acompanhado por 43 médicos pagos pelo Hospital da Cruz Vermelha desde neurologia a neforlogia e só na operação estiveram 13 médicos a acompanhar ao vivo.
A operação em causa esteve a cargo dos cirugiões Vasconcelos Marques, Álvaro de Ataíde e Lucas dos Santos, enquanto o anestesista foi a Dra. Maria Cristina da Câmara, além destes 4 médicos "efectivos" ainda assitiram a operação mais 9 médicos: Eduardo Coelho, Almeida Lima, Bissaia Barreto, Lopes da Costa, João de Castro, Ana Maria Monteiro, Silva Santos, João Bettencourt, Jorge Manaças.
O chefe de equipa foi António de Vasconcelos Marques, director do serviço de neurocirugia do Hospital dos Capuchos e segundo o médico pessoal de Salazar, Vasconcelos Marques foi a quarta escolha; a primeira escolha foi Moradas Ferreira suspeito de ter simpatias pelo Partido Comunista, no entanto estava na Madeira e como não havia tempo de o ir buscar ao território agora dominado por Alberto João Jardim. foram então consideradas outras alternativas como os casos de Gama Imaginário e Almeida Lima, mas o primeiro supostamente estava doente e o segundo já não operava e então foi quando se impôs o nome de Afonso Vasconcelos Marques, no entanto a primeira incisão foi feita por Álvaro Ataide figura ligada a maçonaria da qual se tornou uma das suas principais figuras.
Da maçonaria também fazia parte Bissaia Barreto, velho amigo de Salazar que foi seu médico pessoal até ser sucedido no cargo por Eduardo Coelho e outros maçons da equipa médica que tentou manter Salazar vivo eram o analista Fernando Teixeira e o nefrologista Jacinto Simões, este último acompanhou o velho e decrépito líder nos seus últimos dias sobretudo a partir de 15 de Julho de 1970 quando este adoeceu de forma irremedável.
Quem deu a segunda extrema-unção ao professor de Santa Comba Dão foi o Pároco da Estrela, Padre Gomes Duarte, porque durante a hemodiálise acomapanhada pelo médico Jacinto Simões, surgiram uma cadeia de complicações e problemas que levaram a que fossem administrados os últimos sacramentos: pertubações cardovasculares, carência da função renal, um edema pulmonar e focos de pneumonia; para quem não sabe a primeira extrema-unção foi dada pelo melhor amigo de Salazar, o Cardeal-Patriarca de Lisboa da altura D. Gonçalves Cerejeira, na sequência do AVC que Salazar sofreu na sequência da operação a hematoma subdural.
O Estado Novo perdeu em definitivo o seu líder as 9 e um quarto dos 27 dias do mês de Julho do 1970º ano da era de Cristo e a morte deste foi confirmada por um electrocardiograma quilométrico e um dos médcos, Macieira Coelho diz, "como o Dr. Salazar estava clinicamente morto, o resultado só poderia ser uma linha contínua"
A conta dos médicos ficou em 446 mil euros em valores actuais ou em 1. 662 860 escudos, mas desta conta não fazem parte os honorários do chefe de equipa, Vasconcelos Marques, que segundo a minha fonte não se sabe se custaram 152 mil ou 830 mil euros e tal diferença deu um processo em tribunal porque este quis cobrar 3 milhões de escudos ou 830 mil euros, mas no processo hospitalar apenas constam 550 contos ou 152 mil euros e Eduardo Coelho nunca apresentou a conta.
É do desconhecimento geral quanto é que ficou a brincadeira de terem trazido para território nacional o médico norte-americano Houston Meritt, professor de neurologia e vice-presidente da Universidade de Columbia de Nova Iorque, e por sugestão da administração de Washigton e por sua conta, o douto médico norte-americano veio de propósito a capital lusitana observar Salazar depois do AVC e nada mais fez do que confirmar o diagnóstico dos seus colegas lusos além de elogiar o seu trabalho e o douto médico das terras do Tio Sam escreve num relatório o segunte "Os cuidados que o presidente tem recebido e o tratamento que foi instituído para a hemorragia intracerebral foram excelentes e não poderiam ter sido ultrapassados" relatório datado de Setembro de 1968 e para confirmar a morte do líder do Estado Novo, o electrocardiograma foi assinado por três médicos: Eduardo Coelho, o filho destes Eduardo Maceira Coelho e J. Silva Maltez.
E em seguida a lista dos médicos divididos por especialidades que assistiram Salazar:
Neurocirugia: António Vasconcelos Marques, Álvaro Ataíde, Almeida Lima, Eduardo Lucas dos Santos, Fernando Silva Santos, Jorge Manaças, João Barros de Bettencourt.
Neurologia: João Lobo Antunes, Ermelinda Santos Silva e Miranda Rodrigues
Cardiologia: J. Silva Maltez, J. Correia Marques, Eduardo Maceira Coelho, Lima Faleiro, Eugénia Cohen, da Cunha Telles e António Gomes da Conceição
Anestesiologia: Maria Cristina da Câmara, João de Castro, Avelino Fortes Espinheira, Ana Maria Monteiro e M. Silva Araújo.
Urologia: Cândido da Silva, Alberto Matos Ferreira, Sousa Sampaio, J. Pires Pereira
Cirugia Geral: J. Viana Barreto
Gastrenterologia: J. Pinto Correia
Otorrinolaringologia: Carlos Larroudé
Fisiatria: Henrique Martins da Cunha
Medicina física e de reabilitação: António Eduardo Alves Carpinteiro
Análises clínicas: Manuel H. Nazaré, Fernando Teixeira
Nefrologia: Jacinto Simões
Reumatologia: José de Mendonça da Cruz
Pneumologia: Tomé Vilar
Estomatologia: Ferreira da Costa, Miguel Figueredo
Oftamologia: João Saraiva
E a esta lista têm que ser adicionados o médico pessoal de Salazar: Eduardo Coelho, Bissaia Barreto que foi o seu antecessor neste cargo, Luís Lopes da Costa, (director clínico do hospital da Cruz Vermelha), Neto Rebelo e o professor norte-americano Houston Meritt
Se gastou uma fortuna num país que na altura nem um sistema de saúde tinha para se manter alguém vivo, este alguém que já estava com o pé na Barca de Caronte para atravessar o Rio Styx e se juntar aos mortos no submundo e muitos portugueses na altura se tinham que valer dos subsistemas de saúde dos filhos ou dos maridos para terem médico, bem agora se tem um sistema de saúde e a elite do governo continua a ir a privada.
E ainda falta acrescentar que nesta série de artigos sobre os anos do Salazarismo descobri mais um artigo, portanto a entrevista a anestesista não vai ser o encerramento nesta série de artigos....
E aqui vão as perguntas de sempre: Se não havia nada a fazer, porque chamaram um especialista norte-americano ? Porque mantiveram Salazar vivo a força aquele tempo todo ? Qual era o interesse oculto ?
Como sempre vos peço para ler, comentar e divulgar
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