Amargos Grãos em Sacas de Exploração
Estava eu a procura de material para este recanto que não fosse nem relacionado com o negócio da PT e da Vivo e nem com a miséria da selecçãoq quando me cai no colo vindo do situacionista e centenário Diário de Notícias que me deixou espantando estar a acontecer neste sucedâneo de democracia chamado Portugal e ainda por cima num dos sítios onde eu costumo ir habitualmente matar um dos meus mais terríveis vícios, beber café.
Segundo o artigo do diário lisboeta sediado no cimo da Avenida da Liberdade, a administração do café A Brasileira do Chiado faz aquilo que podemos considerar como um bullying psicológico aos funcionários da centenária casa que se tenham "atrevido" a se sindicalizar havendo persiguições e violações aos direiros mais básicos dos trabalhadores que nem nos tempos da "ditadura" antes do 25 de Abril eram cometidas como desde não pagarem o subsídio de almoço nas férias, turnos de mais de 40 horas semanais, não pagam extra por trabalho nocturno e pagam apenas o mínimo que o código do trabalho estipula.
E não é tudo, os empregados do Café A Brasileira do Chiado que estejam inscritos no sindicato não levam aumento de salário exactamente por isso e os colocam nos piores locais para trabalhar e chegaram ao ponto de despedir uma funcionária com VINTE ANOS DE CASA só porque esta não quis mudar de turno e tudo começou em 2009 quando 30 funcionários do café onde Fernando Pessoa bebia o seu brandy resolveram se sindicalizar.
E citando
Ana Ferreira, que trabalha na Brasileira há 17 anos, sindicalizou-se no início de 2009. Denunciou que a gerência tem feito "trinta por uma linha" com os trabalhadores, desde que se sindicalizaram: "Colocaram-nos nos piores sítios para trabalhar, como ao balcão, onde não recebemos gorjetas, e com horários repartidos. Eu entrava sempre às 08.00 e saía às 17.00. Agora entro às 11.00 e saio às 15.00 para voltar a entrar às 18.00 e sair às 21.00. Nestas três horas não dá para fazer nada."
Salomé Arez, que ali trabalhou 20 anos, foi despedida por ter recusado trocar de horário.
E vos digo que não há nenhuma razão para que a Brasileira pague mal porque os seus preços são dos mais caros porque levam 1,20 por um pastel de nata que nem é lá fabricado e 70 cêntimos por uma bica (café expresso) que não é nem certificado como "amigo do ambiente" ou "biológico" ou de agricultura sustentável e ao lado a pastelaria Bernard leva menos 5 céntimos pelo café e se não me engano os bolos são lá feitos e vos digo que assim mais vale dar 90 cêntimos por um café gourmet no Starbucks do que sustentar uma firma que transforma os funcionáros em escravos....
Pelo que se sabe pela notícia houve mesmo uma manifestação ontem a porta da emblemática casa do Chiado e os turistas que de tanto terem o cu lambido pelos portugueses ficam curados das hemorróidas ficaram a saber que o 25 de Abril não foi nem nunca foi para todos...
E ficam as minhas perguntas de sempre: Afinal para quem serviu o 25 de Abril ? Existem direitos laborais ? Afinal aonde para a democracia ? Existiu 25 de Abril ? Não seria preciso uma intervção mais pesada ? Será que compensa trabalhar em Portugal ?
Como sempre vos peço para ler, comentar e divulgar
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