Apito Dourado… Revisitado

Quando um dos campeonatos nacionais da primeira divisão de futebol mais disputados e ao mesmo tempo menos disputados de dos últimos anos se aproximava do seu clímax numa jornada não recomendada para pessoas com problemas de nervos ou de coração, mas eu sendo benfiquista (não doentio) e meio masoquista e eu iria os relatos pela rádio e por isso vou evitar o máximo de gastar a bateria do mp3 para tê-la bem cheia para acompanhar os jogos de cabeça a rabo e no fim, quem sabe poder cantar o We Are the Champions, aparece um delicioso e venenoso artigo no Jornal de Notícias cujo lead me chegou a mão mas que mostra que nem tudo está assim tão arquivado como alguns papas-padrinhos do futebol querem que pareça que esteja.


O mesmo artigo de jornal veio de novo lembrar a escandaleira do Apito Dourado que originou aqui neste blog a série de artigos “O Triunfo dos Porcos” e veio com as alegações finais dum dos Spin-off deste mesmo processo, mais precisamente o spin-off que é o processo contra Pinto de Sousa, antigo presidente do Conselho de Arbitragem da Federação Portuguesa de Futebol de 1983 a 1989 e de 1998 a 2004.


O cidadão mencionado em epígrafe foi acusado de ter feito 115 crimes (bem se acumulassem 1 ano por cada um seria bonito) consumados de falsificação de documentos e de 29 na forma tentada, no entanto o Ministério Público entendeu que muitos dos crimes constituíam apenas uma prática, ou trocando por miúdos, apenas um crime único.


A sessão que decorreu hoje, foi toda dedicada a alegações finais, o delegado do MP pediu a condenação de Pinto de Sousa pela prática de seis crimes consumados e por cinco na forma tentada, que foram as mesmas condenações pedidas para António Henriques, (estava acusado de 142 crimes), António Azevedo (acusado de 135) e Francisco Costa (sete crimes) e todos eram conselheiros do CA da FPF entre 1998 e 2004, curioso, os anos do super-domínio do Porto com o Penta e as vitórias na UEFA e a segunda Intercontinental, bem será coincidência, ou talvez não.


Está visto que este procurador da república ou delegado do MP é mesmo chato porque não contente com esta lista de gente séria ainda pediu que o responsável pela informática na FPF entre as épocas de 2002/03 e 2003/04, Paulo Torrão, acusado de cem crimes falsificação de documentos fosse condenado apenas em 4, embora o Ministério Público tivesse considerado que quase toda a matéria da acusação fosse considerada provada e o mesmo magistrado ainda considerou que Pinto de Sousa, António Henriques, António Azevedo Duarte, Francisco Costa e Paulo Torrão constituem o grupo de suspeitos principais que o mesmo sublinhou, “pretendiam obter benefícios ilegítimos” com a adulteração das classificações dos árbitros de futebol.


E ainda citando o mesmo procurador: “Houve um grande desígnio criminoso. Entendemos que houve da parte dos arguidos intenção global de falsificação de relatórios e classificações de árbitros, designadamente da terceira categoria nacional”, realçou o mesmo magistrado e pediu que todos os outros suspeitos fossem condenados pelos crimes constantes da acusação; e neste caso houve escutas, como naquela novela que agora está congelada, mas tem dado muita comidinha para que este blog cresça de forma saudável apesar dos acidentes de percurso; dois dos advogados (de Pinto de Sousa e de António Henriques) pediram a nulidade das mesmas, no entanto a acusação defende-se dizendo que as escutas foram peça essencial para o apuramento dos factos observando ainda que “a maior prova vem através das escutas”.


As alegações finais ainda continuam na 2ª Vara do Tribunal Criminal de Lisboa, no Campus da Justiça e a leitura da sentença está prevista para 4 de Junho; este julgamento que é um spin-off do caso Apito (Pito) Dourado tem como semente a certidão nº 51 do caso/processo Apito Dourado que como sabeis foi ou é um caso que investiga ou investigava corrupção na arbitragem no futebol profissional e crimes anexos e foi uma investigação que esteve nas mãos da equipa da procuradora adjunta Maria José Morgado.


No entanto fico a ver que há uns detalhes a realçar e ficaram por realçar e além disto fica muita coisa no ar por esclarecer e muita pergunta por responder e uma delas é a coincidência de apelidos entre o principal suspeito deste caso e os apelidos do Primeiro Engenheiro e do Procurador-Geral da República e outro detalhe é saber quem está por detrás deste clube do crime e quem foram os beneficiados reais e que não houve punições reais como despromoções para todos os clubes envolvidos e cadeia para os corromptores e não apenas para os corrompidos e como quem era o chefe da máfia do Apito Dourado está livre como os passarinhos.


Estranho não acham, se sabe que as alegações finais estão a decorrer, mas se os chefes principais foram ilibados e apenas um dos clubes é que foi punido e não por este caso, mas sim por não pagar as finanças, muito provavelmente estes escroques ficarão soltos e os árbitros carteiristas como Olegário Benquerença e outros que tais hão-de continuar o desfilar de palhaçada e de roubos enquanto são comprados por 30 dinheiros enquanto ninguém travar porque ninguém parece ter interesse na honestidade em Portugal seja naquilo que for.


E ficam as mesmas perguntas de sempre: Será que esta coincidência de apelidos é mesmo só coincidência ? Porque não investigam quem está por detrás deste grupo de mafiosos ? Porque não tocam no suporte desta arraia miúda ? Será que quem suporta esta arraia miúda é tão poderoso como Deus ou Barrack Obama ? Quem os comprou ? Porque não investigaram quem os subornou ? Quem é o chefe dos chefes desta máfia ? Aonde está a verdade desportiva ? Será que os suspeitos do Apito Dourado como Pinto da Costa têm algo a ver com este spin-off do Apito Dourado ?


Como sempre vos peço para ler, comentar e divulgar

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