Outras Faces Ocultas
Não vou falar do caso das sucatas e dos seus mais do que muitos spin-off, mas sim da face oculta dum banqueiro e dum conflito que matou e feriu milhões de pessoas na antiga pérola do império ultramarino português e os dinheiros envolvidos na compra dum banco e numa verdadeira guerra suja que reforçou o poder já de si grande duma família que governa Angola como fossem reis eleitos.
Na edição de hoje do centenário Diário de Notícias vem o resultado duma descoberta feita num processo consultado por jornalistas do lisboeta diário sediado na Avenida da Liberdade, processo o qual foi investigado pelo DCIAP e segundo o qual a ditadura do MPLA que manda e desmanda em Angola quis comprar metade do Banif através de testas de ferro.
Segundo a grande descoberta do diário alfacinha, os factos reportados no processo reportam ao distante ano de 1994, quando a antiga pérola do império do ultramar português vivia a sua segunda guerra civil na ressaca das eleições abortadas em 1992; e no ano de 1994 o governo de Angola decidiu comprar uma fatia generosa, mais precisamente metade do banco dirigido por Horácio Roque e para este efeito a máfia de Eduardo dos Santos, perdão o governo de Angola (descubram as diferenças) fez um acordo entre o advogado Francisco da Cruz Martins o tenente-coronel António Figueredo entretanto já falecido para comprarem as ditas acções e entretanto acabaram por conseguir um ajudante, o empresário Eduardo Morais.
Tal operação deveria de estar pronta em 2003 e pelo que se sabe de alguns depoimentos, o governo de Angola deveria de investir em alguma praça financeira ao mesmo tempo que queria estar a para das movimentações financeiras do homem forte do Banif devido as suas ligações a UNITA aos seus financiamentos ao movimento fundado por Jonas Savimbi.
O plano foi montado através da constituição de várias firmas à circulação de fundos pela Suíça, Mónaco e a Inglaterra e segundo as fontes do DN foram transferidos segundo ao câmbio actual 143 milhões de euros e passados vários anos o estado angolano é que viu que alguém se afiambrou com o massa mas das acções nem cor nem cheiro e por esse motivo em 2008 avançou com uma queixa-crime no Departamento Central de Investigação e Acção Penal (DCIAP), esta atitude deu que pensar ao procurador deste processo, Orlando Figueira e que afirmou o seguinte ao diário lisboeta: "Por que razão o queixoso, Estado angolano, deixou ou permitiu que tivessem decorrido cerca de cinco anos para tomar providências no sentido de recuperar uma quantia, manifestamente avultada, que diz ter ficado desapossado - 192 milhões de dólares? Para esta pergunta, que nos tem perseguido e assolado desde o início, não conseguimos encontrar resposta".
Todavia quem deu a ordem para este inusitado negócio foi presidente de Angola, Eduardo dos Santos e quem o diz é Generoso de Almeida, governador do Banco de Angola à altura afirmando que a operação seria financiada através da Sonangol, a petrolífera estatal angolana dominada pela filha de Eduardo dos Santos e com vários interesses em firmas chave portuguesas como a Galp, Zon, PT entre outras e além de Generoso de Almeida; outro antigo notável da ditadura angolana, nada mais que o ex-braço direito de Eduardo dos Santos, José Costa e Silva confirma o negócio e a ordem de Eduardo dos Santos embora diga que a ideia não tenha sido do ditador angolano a ter a ideia do negócio e há outros depoimentos que a operação foi entendida como secreta e um assunto de Estado.
O processo foi arquivado porque o Estado angolano fez chegar ao processo um documento em que diz ter chegado a acordo com os acusados e se considerava ressarcido e o acordo foi conseguido através dum patrocínio do advogado Daniel Proença de Carvalho.
Algo me deixa pensativo de como há negócios destes com bancos portugueses, financiamentos de guerras em que a ONU dá cláusulas “Triple Zero” que é o embargo total das duas partes num conflito feito por bancos portugueses, tentativa de toma de bancos por um país em guerra e a fiscalização nada fez e agora se soube de negócios que em países desenvolvidos seria o suficiente para que o banco fosse chamado a atenção pelo Banco de Portugal, mas nós sabemos como Constâncio funcionou na fiscalização dos bancos, melhor não funcionou (ver casos BPN e BPP) e como os socialistas em Portugal sempre se dividiram em “UNITAS” e “MPLAS” qual fossem Dreyfusards e anti-Dreyfusards como ficaram na história as visitas de João Soares a sede histórica da UNITA na Jamba numa das quais o avião onde seguia João Soares se despenhou em circunstâncias tão estranhas que lembram o caso Camarate.
E ficam as minhas perguntas de sempre: Porque só soube disso hoje ? O que andou a fiscalização bancária a fazer ? Porque o estado não interveio ? Porque se violaram as normas internacionais ? Afinal o que é isto ? Aonde isto vai parar ? Afinal não passa tudo dum bando de mafiosos como nos filmes do James Bond ? Afinal para que nos serve a república e o seu presidente ? Então as províncias ultramarinas já não são independentes ?
Como sempre vos peço para ler, comentar e divulgar
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