Mais Um Português De Que Ninguém Se Lembra

Este artigo de fundo vai pecar um pouco por tardio porque já faz uma semana que recebi o lead do jornal Público que fala deste homem que era conhecido pelos índios brasileiros como Homem Branco Bom e em Portugal se chamava Pedro Teixeira.

O artigo do diário situado na Rua Viriato em Lisboa lembra este navegador e a data do fim da expedição feita por este navegador entre 28 de Outubro de 1637 e 12 de Dezembro de 1639 que foi a primeira a explorar o rio dos rios, o maior dos rios da Mãe – Terra em termos de caudal em toda a sua extensão navegável que partiu de Gurupá e chegou a cidade de Quito, passando o rio Amazonas na sua totalidade para a coroa lusitana o que foi um feito extraordinário para a época mas na realidade o Brasil ainda era território de domínio espanhol porque Portugal ainda estava sob o domínio da dinastia Filipina (1580 – 1640).

Foi relembrado graças a um movimento lançado pelo senador Aloizio Mercadante que quer com este movimento para resgatar e reconhecer a memória deste português de Cantanhede e para tal fo realizada uma sessão comemorativa no senado brasileiro sobre os 370 anos dessa expedição e se não fosse esse mesmo português de que ninguém se lembra foi o responsável pela cartografia de 62% do actual território brasileiro e se 62% da maior concentração de água doce e da maior floresta tropical do mundo está em território brasileiro se deve a Pedro Teixeira.

E vocês se calhar como eu nem deram na escola quem foi Pedro Teixeira e o lead do Público tapa esta lacuna cultural em muitos de nós e vem com a biografia deste navegador que tem uma estátua na sua terra natal e para aqueles que não sabiam ou não sabem, Pedro Teixeira era um militar que participou na fundação da cidade de Belém, a capital do estado do Pará, e que depois se destacou em diversas missões militares, combatendo holandeses, ingleses e franceses e quando dois padres e quatro soldados espanhóis chegaram perdidos a Belém com a novidade que o rio Amazonas era navegável e então o governador do estado do Grão-Pará e Maranhão pediu para organizar a expedição até Quito (na época capital do vice-reinado do Peru).

No regresso acompanhado com testemunhas espanholas, Teixeira vai registando a posse das terras para o reino de Portugal, mas como naquela época o reino de Portugal estava submetido à Coroa de Espanha o livro que relata esta saga, em 1641 (Novo Descobrimento do Grande Rio Amazonas e a Viagem de Pedro Teixeira Águas Arribas, de Frei Cristobal Acuña) acaba por ser queimado e segundo o mesmo senador que quer resgatar a memória de Teixeira afirma que esta saga não foi reconhecida pela historiografia dos dois lados do Atlântico e que este vulto histórico está condenado ao esquecimento.

E o seu nome não consta do Livro dos Heróis da Pátria (ou Livro de Aço) que está no Panteão da Liberdade e da Democracia Tancredo Neves em Brasília e o nome de Teixeira não faz parte sequer dos candidatos a entrarem neste livro e este mesmo senador propõe que a história da expedição de Pedro Teixeira seja integrada nos currículos escolares do Brasil.

A expedição de Pedro Teixeira era composta por 70 canoas (45 das quais de grande dimensão, com vinte remadores cada) e ainda acompanhavam o explorador português 70 soldados portugueses e 1200 índios, muitos deles “flecheiros” (arqueiros) que levavam as suas mulheres e filhos.

Teixeira nasceu entre 1570 e 1585 era de ascendência nobre e foi para o Brasil em 1607, conta a autora do livro “A Expedição de Pedro Teixeira – A Sua Importância Para Portugal e o Futuro da Amazónia (ed. Ésquilo), a brasileira Anete Costa Ferreira que é investigadora de ciências sociais e história e esteve na tal sessão de homenagem no senado brasileiro na semana passada.

Ainda segundo a mesma, Pedro Teixeira falava o tupi – língua com origem no povo tupinambá e essa era uma das razões porque era tão acarinhado pelos índios.

E a descrição da viagem chega até aos nossos dias graças a um documento que se encontra na biblioteca da Ajuda (Relazion del General Pedro Teixeira de el Rio Amazonas para el Senhor Príncipe, 1639) e anda segundo Anete Costa este documento é o diário de bordo de Pedro Teixeira e é o documento que o tornou célebre, e é um levantamento geral da fauna, flora, do minério, dos costumes; entra tudo que ele foi vendo no seu trajecto incluindo os canibais.

Nesta grande expedição, Pedro Teixeira fixou uma série importante de territórios até então desconhecidos como as ilhas das Areias ou Santa Luzia e na viagem de regresso descobre o rio Negro, onde mais tarde se ergueu a cidade de Manaus e o rio Madeira, um grande afluente do Amazonas.

Neste documento que se encontra na Biblioteca da Ajuda, Teixeira ainda conta que tanto na ida como na volta da expedição do rio Amazonas não viu as amazonas descritas durante a viagem de Francisco de Orellana, explorador espanhol que antes navegara parte do Amazonas.

As ditas Amazonas foram descritas por Carvajal, frade que acompanhou Orellana como mulheres sem peito, guerreiras e que não aceitavam o homem no seu habitat.

Apesar de nunca se ter cruzado com elas, Teixeira relata que lhe chegaram muitas notícias das Amazonas, diz mesmo que estariam a “seis jornadas” do sítio que se encontravam e que teriam 300 aldeias ou mais com quinhentos ou oitocentos casais cada: “Aqui acabam as flechas furadas perigosas e, que as haja por todo o rio, não matam como as do Sul”.

Infelizmente a documentação sobre este navegador é muito pouca e Anete Costa disse ao jornal Público que estava a ultimar um trabalho de investigação com o objectivo de se saber mais sobre este português esquecido tão querido e ao mesmo tempo tão esquecido de ambos os lados do Atlântico Português.

Apenas espero que Anete Costa seja bem sucedida e que se saiba mais sobre este grande navegador que desenhou boa parte do mapa que daquilo que chama hoje Brasil.

Como sempre vos peço para ler, comentar e divulgar

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