A Génese Do Apelo Urgente XVII

Começou a fazer quimioterapia com apenas 45 dias de vida. Daí para cá nunca mais parou. Chama-se Andreia, tem apenas 11 meses, e precisa de um transplante de medula óssea para erradicar um tumor que surgiu logo no primeiro mês de vida.


Luís Costa Ribeiro









O ‘calvário’ da pequena Andreia está a comover grande parte da população nortenha. Ontem, mais de duas mil pessoas marcaram presença no quartel dos Bombeiros Voluntários de Mirandela, disponibilizando-se para serem dadores de medula óssea da bebé. Movidas pela onda de solidariedade que se criou em torno da família, algumas pessoas fizeram mais de 200 quilómetros na expectativa de serem dadores compatíveis com a bebé.

Andreia Sofia Pires Gomes nasceu na maternidade de Mirandela e precisa de um transplante de medula óssea para poder fazer face a um tumor denominado de histiocitose com atingimento intestinal, cutâneo e medular.

A família foi logo submetida a várias análises, mas nem os pais, nem o irmão são compatíveis com a menina. Por isso, a recolha de sangue ontem realizada é vista pelos familiares como uma enorme esperança de salvar a vida da bebé.

Emocionada com a adesão da população, Maria da Luz, a mãe, não esconde as expectativas: “Algo no meu coração de mãe me diz que pode estar aqui um dador compatível para a minha Andreia”, afirmou convicta ao CM.

O pai, João Gomes, lembra que quando a bebé nasceu já trazia umas pequenas manchas no corpo. “Na altura fizeram-lhe análises mas não detectaram nada”, assegura.

Como Andreia continuava sem engordar, foi levada para o Hospital de S. João, no Porto, onde lhe fizeram um exame ao estômago. Ao fim de 15 dias o resultado de uma biopsia detectou-lhe a doença. “Daí para cá tem sido um calvário”, diz o pai, emocionado.

A doença de Andreia acabou por revirar por completo a vida dos pais. João Gomes trabalha em Mirandela, mas passa todos os fins-de-semana no Hospital de S. João. Maria da Luz está há dez meses no hospital onde come, toma banho e dorme num cadeirão.

Manuel Dias, Licenciado em Análises Clínicas, foi o responsável pela vasta equipa que recolheu o sangue aos muitos que se disponibilizaram a ser dadores de medula óssea. Durante mais de dez horas, o sorriso no atendimento foi presença certa.

“Fizemos as inscrições e recolhemos dois frascos com sangue. Um, para tirar a identidade através do HLA, outro para fazer o despiste da hepatite B e do vírus da sida (VIH). Após essa identidade, o dador é seleccionado e convocado. Procede-se então à recolha de células de medula óssea, que será colocada na pequena Andreia através de uma transfusão, sem necessitar de intervenção cirúrgica”, explicou, passo a passo, o responsável.

Segundo Manuel Dias, é impossível estimar quantas pessoas são precisas para encontrar um dador compatível. “Todas as contas não passam de números. E tal como no Euromilhões, se jogarmos com mais cruzes mais probabilidades temos de obter o prémio desejado.” finalizou.

COMO SE FAZ UM TRANSPLANTE

A palavra transplante induz muitas pessoas em erro quando se trata de medula óssea. Este transplante difere da maioria dos outros transplantes de órgãos, pois o doente recebe as células de medula óssea do dador por via endovenosa, ou seja, por transfusão. Essas células saudáveis migram pelo sangue do paciente para se fixarem na medula óssea e multiplicarem para suprir as necessidades fisiológicas no organismo.

Para quem doa, o processo é igualmente simples. Depois dos muitos exames que são feitos para comprovar a compatibilidade genética e a ausência de doenças infecciosas, a colheita é simples e não demora mais de uma hora. O dador está descontraído e pode até ver televisão. O sangue é tirado e passado para uma máquina onde ficam as células necessárias para regenerar a medula óssea do doente. O restante volta a ser injectado na veia do dador.

Existe um processo mais complexo, com anestesia geral, através do qual as células são retiradas directamente do osso da bacia, mas que praticamente já não é utilizado.

DRAMA

A pequena Andreia não conhece outro lar. Nasceu há 11 meses e está internada há nove no Hospital de S. João no Porto. Na sua curta existência já fez três sessões de quimioterapia. A família continua esperançada em encontrar um dador. O irmão não é compatível

SAIBA MAIS

80 Por cento dos doentes têm pelo menos um potencial dador compatível, número que aumentou muito após um esforço mundial feito para angariar dadores.

45 Milhões é o número de combinações possíveis de compatibilidade. Existem cerca de 32 mil dadores, mas é necessário que esse número aumente de forma a que haja maior compatibilidade.

REQUISITOS

Para que possa ser dador basta que tenha entre 18 e 45 anos e goze de boa saúde. Tem de preencher um inquérito médico e submeter-se a uma avaliação clínica. Só depois é feita a colheita de sangue para análise.

HISTÓRIA

O transplante de medula óssea surgiu na década de 70, pela mão de E. Donnall Thomas, reconhecido anos mais tarde com o Prémio Nobel da Medicina.
Luís Costa Ribeiro


 


 


 


 


 


 


AGORA MEXEM-SE E AJUDEM

Comentários

  1. Sim já sabia pelo CM e do PESSOAL que tomou a iniciativa para ajudar a ANDREIA.
    É de louvar a ajuda que se pretende dar .
    Claro que passarei a mensagem.

    ResponderEliminar
  2. Ao passaramos essas mensagens estamos a ajudar também

    ResponderEliminar
  3. Conheci a pequena Andreia e a sua mãe quando fazia voluntariado no hospital s. João através da Acreditar. Hoje quando li a notícia sobre a Leonor, recordei todos os meninos que conheci, em especial a pequena Andreia. Sabe dizer-me se a Andreia está bem? Gostava de ter noticias. Obrigado.

    ResponderEliminar
  4. Não soube de mais nada depois do que veio publicado no Correio da Manhã, as partidas da Leonor e da Bia me deixaram arrasado

    ResponderEliminar

Enviar um comentário

Mensagens populares