Nunca Salazar Esteve Tão Na Moda V (Conclusão)
Este dossier ou série de artigos de fundo vai finalmente ter sua conclusão neste recanto após alguns acidentes de percurso pelo meio com a entrevista da anestesista Dra. Maria Cristina Câmara, que apenas foi a anestesista que assistiu a cirugia ao cérebro de Salazar para drenar o famoso hematoma sub-dural causado pela não menos famosa queda da cadeira e ainda acomapnhou o ditador depois na recupaeração parcial de um AVC que sofreu antes de morrer e deu uma entrevista ao Expresso onde fala da mais famosa operação cirúgica em que colabarou do mais importante doente que tratou.
Como é do conhecimento geral dos habitantes da Lusitânia, a operação ao mais ilustre cidadão de Santa Comba Dão criou uma enorme polémica que logo a seguir a revolução dos Cravos saiu para fora do mundo da medicina e dos bastidores do sub-mundo da política; a correcção e eficiência do diagnóstico e autoria da operação foi debatida de forma apaixaonada, mesmo de forma fanática nos jornais, em livros e até mesmo na barra dos tribunais num processo que opôs o chefe da equipa de neurocirugia, Vasconcelos Marques, aos filhos de Eduardo Coelho, médico assistente de Salazar.
Absolutamente discreta, a anestesista Dra. Maria Cristina da Câmara, que vu tudo conta como tudo se passou , um verdadeiro documento sobre o fim do salazarismo.
Abaixo segue a entrevista
Expresso: Quando e como soube que Salazar teria de ser operado ?
Dra. Maria Cristina da Câmara: Eu era a anestesista da equipa do Dr. Vasconcelos Marques, director da neurocirugia do Hospital dos Capuchos. Nessa tarde, ele participou-me que tinha de operar Salazar nessa mesma noite e pediu como era natural, a minha colaboração.
E: Já tinha tido algum contacto médico (ou pessoal) com o presidente do Conselho ?
MCC: Não
E: Quem a convidou para integrar a equipa médica ?
MCC: Eu fazia parte da equipa de Vasconcelos Marques, tendo sido ele, como disse, quem me "convidou" - melhor, me participou. A equipa era composta por Álvaro de Ataíde, Lucas dos Santos, Jorge Manaças e Fernando Silva Santos, sendo eu a anestesista.
Aliás trabalhei como anestesista da equipa de Vasconcelos Marques durante 18 anos, até ele se reformar. Ele operava no Serviço de Neurocirugia do Hospital dos Capuchos, de que era director. Foi ele que criou a Unidade de Traumatizados Crânio-Encefálicos de São José, no final dos anos 70, com a ajuda da Fundação Calouste Gulbenkian.
E: Por que razão foi escolhido o Hospital da Cruz Vermelha ? Não teria sido preferível um dos grandes hospitais do Estado, mais bem equipados ?
MCC: A Cruz Vermelha, nessa altura, era talvez o hospital mais bem apetrechado e onde Vasconcelos Marques operava habitualmente a sua clínica particular. Os hospitais do Estado estavam muito mal apetrechados e tinham poucas condições hoteleiras. Só muito depois tiveram um incremento em instalações e equipamentos.
E: Qual foi a sua reacção, pessoal e profissional, ao convite para participar naquela cirugia ? Ficou surpreendida ?
MCC: A minha reacção foi de naturalidade. Não fiquei absolutamente nada supreendida. Fazia parte da equipa e tinha de estar disponível 24 horas por dia. Vasconcelos Marques tinha muita confiança em mim. A neurocirugia era sempre à tarde e podia ir até às tantas da noite. Habitualmente, Vasconcelos Marques passava visita de madrugada aos seus doentes do hospital
Seguia escrupulosamente o seu doente e dava o exemplo a toda a equipa. Foi ele que criou a neurocirugia moderna nos hospitais Civis de Lisboa, tendo a noção que a neuro-reanimação era essencial. Nessa época, ainda não havia Unidade de Cuidados Intensivos nem os meios de diagnóstico de hoje. A primeira Unidade de Cuidados Intensivos nos Hospitais Civis de Lisboa foi criada e chefiada por mim, em São José, quando Vasconcelos Marques era director de serviço, tendo-me dado todas as condições para que a unidade pudesse ser criada.
E: Antes da operação, foi contactada por algum responsável do regime ? Ou pela governanta de Salazar, D. Maria de Jesus Freire ?
MCC: Fui apenas contactada pelo chefe de equipa de neurocirugia, Dr. Vasconcelos Marques. Não vejo a que propósito iria ser contactada pela govenanta de Salazar !
E: Esteve de alguma forma envolvida no processo de decisão sobre a operação ?
MCC: Não. A decisão só cabe ao chefe de equipa. Mas claro que sabia para o que ia. Sabia que havia uma suspeita de hematoma, mas quem decide é sempre o chefe de equipa.
E: Como correu a operação ?
MCC: Com toda a normalidade, tendo tido uma óptima colaboração do doente.
E: Franco Nogueira (MNE de Salazar) escreve na biografia de Salazar que houve três cirugiões: Vasconcelos Marques, Álvaro de Ataíde e Lucas dos Santos. Mas quem fez realmente a cirugia ?
MCC: A cirugia foi feita pelo chefe da equipa, Vasconcelos Marques. Álvaro de Ataíde e Lucas dos Santos eram seus ajudantes - nesse dia e sempre Vasconcelos Marques operava. A incisão foi feita por Álvaro Ataíde, mas é preciso que se entenda que, naquele caso, a incisão limitou-se ao couro cabeludo.
E: Eduardo Coelho, médico pessoal de Salazar, alega nas suas memórias que Vasconcelos Marques foi a quarta escolha, após Moradas Ferreira, Gama Imaginário e Almeida Lima.
MCC: Não sei qual foi a sequência da escolha de Eduardo Coelho nem vejo o interesse disso. Se Eduardo Coelho escolheu Vasconcelos Marques, tinha com certeza confiança nele, independentmente da sequência da escolha.
E: Eduardo Coelho escreveu ainda que a cirugia foi executada não por Vasconcelos Marques mas por Álvaro de Ataíde.
MCC: A cirugia foi executada por Vasconcelos Marques - eu estive lá ! Álvaro de Ataíde foi o primeiro ajudande e Lucas dos Santos o segundo. É certo que foi Álvaro de Ataíde que fez a incisão, mas isso não significa que não tenha sido Vasconcelos Marques a fazer a cirugia.
E: É habitual haver mais que um anestesista ?
MCC: Em casos muito complicados e/ou com pessoas muito importantes, é natural. Neste caso foi o Dr. João de Castro que também era meu marido.
E: Franco Nogueira diz que assistiram mais nove médicos. É normal uma cirugia com tamanha "assistência" ? Para quê ?
MCC: Tratando-se da pessoa que era, penso que é muito natural. Mas não me lembro de quem estava no bloco. A equipa de Vasconcelos Marques era constituída por ele, dois ajudantes, um instrumentista e dois anestesistas - o Dr. João de Castro e eu. O Prof. Eduardo Coelho também lá estava, assim como Bissaya Barreto. E havia outras pessoas, todas médicos, cujo nome já não me lembro.
E: O primeiro boletim médico, distribuído na manhã de 7 de Setembro de 1968, diz que a operação decorreu "sob anestesia local". Confirma ?
MCC: A intervença cirúgica foi executada sob anestesia local, assistida. A anestesia local é feita pelo próprio cirugião, tendo a anestesiologista uma função muito mais lata, nestes casos.
E: Que droga foi utilizada na anestesia ?
MCC: Um anestésico local, injectado, subcutâneo. Era lidocaína, o anestésco local mais comum e que ainda hoje é muito utilizado. Após ser injectado, decorreem mais ou menos alguns minutos até que se possa fazer a incisão.
E: Nestes casos, não é dispensável a presença do anestesista ?
MCC: Não, porque o anestesista tem outras funções, como manter a homeostasia.
O anestesista não é só a pessoa que administra as drogas anestésicas; é, sobretudo, um intensivista durante toda a intrevenção cirugica - isto é, evita diagnostica e trata precorcemente qualquer anomalia que surja.
E: Hoje, à luz da sua experiência e do desenvolvimento da medicina, a anestesia seria feita de forma muito diferente ?
MCC: Seria exactamente da mesma maneira, com a presença de um anestesista para manter o doente em condições fisiológicas normais. A anestesia local serve não para mascarar sintomas. Num doente daquela idade, o mais indicado é a anestesia local. E uma angiografia não era indicada para uma pessoa que estava mal e com aquela idade, não havendo outros meios modernos de diagnóstico, como por, exemplo a TAC ou a ressonância magnética
E: Franco Nogueira observa que a senhora passou a visitar Salazar "todos os dias, e as vezes mais de uma vez por dia", sendo uma "dedicada e feverosa assistente de Salazar". Quer descrever como foram os contactos com Salazar durante esses dias ? Notou progressos ? De que assuntos falavam ?
MCC: As minhas visitas ao doente Dr. Salazar foram sempre profissionais. Salazar recuperou completamente da operação e mantinha uma conversa agradável e muito simpática até à altura do acidente vascular cerebral (AVC). Durante esses oito dias, esteve bem e ficou absolutamente normal. Era um homem muito delicado e cumpria todas as ordens médicas que lhe eram dadas. Foi um doente com um pós-operatório calmo. Reconhecia toda a gente, o que era um excelente sintoma. E, como se sabe, antes da operação fazia muitas confusões.
E: Era de alguma forma prevsível o posterior acidente vascular cerebral, ocorrido a 16 de Setembro ? Estava presente ? Ficou surpreendida ? Poderia ter sido evitado ?
MCC: É sempre poss´vel acontecer um acidente vascular cerebral num doente com um hematoma subdural crónico operado, sobretudo em pessoas idosas.
Não é possível evitar um AVC nestas circunstâncias - os vasos cerebrais não têm a elasticidade dos de um homem novo. Eu não estava presente, mas fui imediatamente chamada. Enquanto não chegava, foram-lhe prestados todos os cuidados.
E: Marcelo Caetano só visitou Salazar nesse dia, 16 de Setembro. Achou estranho ? Foi comentada esta visita ? Já conhecia Marcelo Caetano ?
MCC: Não conhecia pessoalmente o Prof. Marcelo Caetano e nunca ouvi comentários sobre essa visita. Eu era sobretudo uma profissional. Sempre gostei dos meus doentes, tenham sido o Dr. Salazar ou outro qualquer.
E creio que ele tinha uma certa simpatia por mim. Bemsei que só me mostrou uma faceta, mas era um doente simpático e afável. Reparei que tinha mais amigas que amigos.
E: Nesse mesmo dia, o cardeal-patriarca D. Gonçalves Cerejeira, deu a extrema-unção a Salazar. Assistiu ?
MCC: Soube disso, mas não assisti - nem tinha de assistir. Estava lá quando o cardeal-patriarca chegou. Não o conhecia pessoalmente.
E: Vasconcelos Marques escreveu no semanário "O Jornal" que após o AVC a senhora teve um "papel importantíssimo" no trabalho de "neuro-reanimação" do doente. Em que consistia este trabalho ?
MCC: Após o AVC, fui a intensivista de Salazar, tendo sido eu quem o tratou, sob esse ponto de vista, no hopsital. Intensivismo significa o que a palavra quase quer dizer: o doente está em coma e é necessário manter todas as funções vitais, com métodos adequados. Ou seja, manter um doente em vida, permitindo a recuperação da doença. Criei na prática, uma Unidade de Cuidados Intensivos no quarto do Dr. Salazar.
E: Que grau de lucidez Salazar manteve nesses dias ? Realizou algum trabalho ligado à governação ?
MCC: Salazar recuperou após o AVC e de ter estado em coma, tendo perdido a sua memória 'recente', mas conservando toda a sua memória 'passada'. Por isso, podia manter uma diálogo sobre assuntos do passado, diálogo coerente, mas esquecia-se sempre de acontecimentos recentes. Além disso, ficou diminuido sob o ponto de vista motor. Que eu saiba, não realizou nenhum trabalho ligado a governação (duvido que fosse possível)
E: Que relação tinha ele com médicos e enfermeiras ?
MCC: A sua relação era muito simpática e de uma correcção impecável. Era um doente muito afável e dócil, no sentido em que obedecia as indicações médicas rigorosamente. Quando lhe fomos dizer que tinha que ser operado, respondeu de imediato: "Vamos a isso !"
E: Teve algum contacto, ou conversa, com o Prof. Houston Merritt, enviado pelo governo dos EUA para observar Salazar ?
MCC: Quem teve contacto com o Prof. Merritt foi o chefe de equipa, Vasconcelos Marques, e Eduardo Coelho. Eu não tive o menor contacto. Foi-me apresentado, mas não assisti as reuniões, nem tinha de assistir. Na sua especialidade de neurocirugia, era um homem importante e respeitado.
E: Esteve na reunião do Prof. Merritt com o Presidente Américo Tomás, no Palácio de Belém ?
MCC: Não
E: A 25 de Setembro (véspera da nomeação de Marcelo Caetano para chefe do Governo), os médicos foram chamados a Belém para se pronunciarem sobre a possibilidade de Salazar continuar, ou não, a desempenhar o cargo de Presidente do Conselho. Quais foram as opiniões emitidas ?
MCC: Não estive presente. Não tinha de estar. Salazar tinha-se tornado num grande inválido. O Chefe de Estado fez muito bem. Foi uma decisão lógica.
E: Após a saída do coma. Eduardo Coelho diz que Salazar teve "seis acidentes graves" que "arriscaram" a sua vida. Asenhora teve alguma intervenção ?
MCC: Não sei a que acidentes graves Eduardo Coelho se refere. Lembro-me de ter havido alguns, muito graves, que foram sendo resolvidos com atitudes médicas apropriadas.
E: Após Salazar ter saído do hospital e regressado à sua residência, em São Bento, continuou a ter contactos com ele ?
MCC: Em Dezembro de 1968, quando Vasconcelos Marques decidiu retirar-se, eu participei a Eduardo Coelho que me retiraria também. Tinha as melhores relações com o Prof. Eduardo Coelho, por quem tnha muita consideração e ele por mim. Na altura, disse-me que contava comigo em São Bento (o que já hava declarado previamente numa entrevista a um jornal). Agradeci-lhe, mas disse-lhe que a minha resolução era inabalável, pois fazia parte duma equipa chefiada por Vasconcelos Marques.
Não tive portanto, mais nenhum contacto com Salazar, nem tive qualquer papel médico após a sua saída do hospital, claro que conhecia Eduarado Coelho, o médico pessoal de Salazar, era um cardiologista brilhante e fora meu professor de caridologia na faculdade.
'Soube da morte à chegada a Macau'
E: Alguma vez voltou a ver Salazar ?
MCC: Nunca mais o vi. Não vinha a propósito. O contacto que tive com ele não foi político, foi profissional. Era um doente de quem eu gostava. Aliás um médico gosta sempre dos seus doentes. Tem de haver uma empatia entre o doente e o médico e vice-versa. Uma relação muito especial.
E: Nem foi ao seu funeral ?
MCC: Não, nem iria. Até estava em Macau. Foi quando cheguei a Macau que um funcionário da Alfândega me disse "Salazar morreu hoje"
E: Eduardo Coelho disse que Vasconcelos Marques apresentou uma conta de honorários de três milhões de escudos (hoje 15 mil euros), enquanto ele e os seus colaboradores nada apresentaram. Quer comentar ?
MCC: Se Eduardo Coelho não apresentou os seus honorários foi com certeza, por motivos pessoais, que não me merecem qualquer comentário. Contudo, não percebo porque Vasconcelos Marques não apresentaria os seus honorários médicos !
Não sei o quantitativo desses honorários, nem nunca quis saber.
E: Eduardo Coelho fala ainda numa reunião em Belém, em que a senhora esteve presente, aparentemente por causa de uma entrevista ao jornal "Primeiro de Janeiro". Nessa reunião, terá havido uma agitada torca de opiniões entre Vasconcelos Marques e Eduardo Coelho. Quer recordar ?
MCC: Nunca estive em Belém com Eduardo Coelho ou Vasconcelos Marques para qualquer reunião. Lembro-me, sim, de uma reunião, mas no hospital com o Presidente da República, Vasconcelos Marques, Eduardo Coelho e eu própria, na qual Vasconcelos Marques participou ao presidente que terminara a sua assistência médica a Salazar, o que me levou a pedir a minha demissão. Nunca estive em Belém, a não ser quando o Presidente da República decidiu condecorar Vasconcelos Marques, Álvaro de Ataíde e eu própria.
E: A 15 de Julho de 1970, Salazar foi acometido de uma grave doença infecciosa, vindo a falecer a 27 de Julho. Nesta fase voltou a prestar-lhe alguns serviços médicos ? Quais os últimos factos que conserva na sua memória ?
MCC: Em 1970, Salazar estava em São Bento e, como já declarei, eu não tinha qualquer contacto com ele, nem fazia parte da sua equpa médica da altura.
E: Em 1990 decorreu um processo judicial entre Vasconcelos Marques e os filhos de Eduardo Coelho. Qual foi o seu envolvimento nessa disputa ? E que comentários gostaria de fazer ?
MCC: Vasconcelos Marques pôs os filhos de Eduardo Coelho em tribunal após estes terem dado uma entrevista a um jornal a dizerem que o cirugião de Salazar não tinha sido ele. Vasconcelos Marques perguntou à sua equipa se se importava de testemunhar em tribunal. Tanto os seus ajudantes - Lucas dos Santos, Jorge Manaças, Fernando Silva Santos - como eu própria testemunhámos, já que tínhamos assistido, que a pessoa que operara Salazar tinha sido Vasconcelos Marques.
Álvaro de Ataíde era um cirugião disitinto e sempre ajudara Vasconcelos Marques, como primeiro ajudante, o que se verificou também na operação a Salazar. Se Álvaro de Ataíde não tivesse falecido, penso que também seria a sua testemunha. Mas não gostaria por uma questão de elegância, de fazer qualquer outro comentário sobre o assunto.
(Texto orginal publicado na revista Única de 21 de Novembro de 2009 e sacado da net em 30 de Julho de 2010)
Com este artigo dou por findo o dossier sobre aquele que foi considerado o melhor português de todos os tempos (eu não votei nessa sondagem embora a mnha escolha de certeza não ia para Salazar) e talvez um dia quem sabe volte ao assunto caso volte a ter mais material, foi um dossier penoso porque teve muitos acidentes pelo meio, mas delicioso porque se versou sobre um periodo relativamente fértil em eventos da História da Lusa Pátria e que muito ainda está por descobrir.
Como sempre vos peço para ler, comentar e divulgar
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